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Em interrogatório, Lula diz que pensou em comprá-lo, mas que dono não queria vender



Em interrogatório na sede da Justiça Federal, em Curitiba, nesta quarta-feira (14), o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse que não era dono do sítio de Atibaia, em São Paulo, e que havia pensado em comprá-lo --mas que o dono do local não quis vendê-lo.


Ele foi interrogado das 15h às 17h50 pela juíza federal substituta Gabriela Hardt no processo da Lava Jato que investiga reformas feitas no sítio de Atibaia. Lula é réu na ação penal.


O ex-presidente deixou o local cerca de dez minutos após o fim da audiência e foi levado para a Superintendência da Polícia Federal (PF), onde está preso desde abril para cumprir a pena de 12 anos e 1 mês de prisão pela condenação no caso do triplex em Guarujá (SP). Nesse processo, o ex-presidente foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.


Esta foi a primeira vez que Lula deixou a Superintendência desde que foi detido.


O que Lula disse no interrogatório:





Que pensou em comprar o sítio, mas desistiu porque o dono não quis vender;
Disse que queria provar que o sítio não era dele;
O ex-presidente questionou a juíza: 'sou dono do sítio ou não?'

Quis comprar o sítio

No interrogatório, Lula disse, ao falar sobre o sítio de Atibaia: "Eu na verdade pensei em comprar o sitio para agradar a Marisa em 2016. Eu tive pensando porque se eu quisesse comprar o sitio eu tinha dinheiro para comprar o sitio. Acontece que o Jacob Bittar não pensava em vender o sítio, o Jacob Bittar tinha aquilo como patrimônio".


Questionado pelo Ministério Público Federal sobre uma minuta de escritura de 2012, não concretizada, no qual Lula e Marisa apareciam como potenciais compradores do sítio, o ex-presidente respondeu: "Se foi feita uma minuta, obviamente que, como eu era amigo deles, eles poderiam ter oferecido pra mim, se eu quisesse comprar o sítio eu poderia ter comprado o sítio".

'Sítio não é meu'

O ex-presidente fala ainda: "Eu nunca conversei com ninguém sobre as obras do sítio de Atibaia porque eu queria provar que o sítio não era meu. E hoje aqui nessa tribuna vocês me deram o testemunho: o sítio não é do 'Seu' Lula. Eu pensei que eu vim aqui prestar depoimento porque o sítio era meu. O sítio não é meu."


Discussão com juíza

No início do interrogatório, Lula e a juíza discutem. "Doutora, eu só queria perguntar para o meu esclarecimento. Eu sou o dono do sítio ou não? Porque eu estou disposto a responder toda e qualquer pergunta. Eu sou dono do sítio ou não?", pergunta o ex-presidente. “Isso o senhor que tem que responder e eu não estou sendo interrogada nesse momento”, disse a juíza. Lula interrompeu dizendo que tem que responder é quem o acusou. Gabriela Hardt então chamou a atenção de Lula: “Senhor ex-presidente, esse é um interrogatório --e se o senhor começar nesse tom comigo, a gente vai ter problema”.



Apoiadores saudaram Lula na chegada à Superindência da PF — Foto: Andrei Cunico/RPC

Apoiadores


Apoiadores do ex-presidente estão em frente à sede da PF desde o início da manhã. Eles também fizeram manifestações com faixas e cartazes em frente ao prédio da Justiça Federal durante a audiência.

A audiência começou às 14h com o depoimento do pecuarista José Carlos Bumlai, também réu no processo. Bumlai, que responde pelo crime de lavagem de dinheiro, foi interrogado por uma hora.

A juíza Gabriela Hardt, substituta na 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, assumiu temporariamente a os processos da Lava Jato, antes conduzidos pelos juiz Sérgio Moro.


Moro está de mudança para Brasília a partir de janeiro para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública.


A seleção do novo juiz é de responsabilidade do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).


Investigações do processo do sítio




O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu no processo que investiga uma reforma no sítio em Atibaia


Conforme o Ministério Público Federal (MPF), o ex-presidente recebeu propina do Grupo Schain, de José Carlos Bumlai, OAS a Odebrecht por meio da reforma e decoração no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que frequentava com a família. Outras 12 pessoas são rés neste processo.



Os valores foram repassados ao ex-presidente em reformas realizadas no sítio, de acordo com os procuradores do MPF. Segundo a denúncia, as melhorias no imóvel totalizaram R$ 1,02 milhão. Ex-executivos da Odebrecht afirmaram que o departamento de propina da empresa bancou parte das obras.


Segundo a força-tarefa da Lava Jato, Bumlai teria ajudado no repasse de propina no valor de R$ 150 mil ao ex-presidente.


Lula nega as acusações e afirma não ser o dono do imóvel, que está no nome de sócios de um dos filhos do ex-presidente.


O empresário Fernando Bittar, um dos donos do sítio, responde por lavagem de dinheiro. Interrogado pela Justiça, na segunda-feira (12), Bittar disse que achava que Lula faria o pagamento das obras na propriedade.


O pecuarista José Carlos Bumlai e Lula prestam os últimos depoimentos da ação, que depois vai para a fase final.


Veja mais notícias do estado em G1 Paraná.


Ex-presidente Lula deixou a sede da Justiça Federal por volta das 18h desta quarta (14) — Foto: Giuliano Gomes/PR Press
Em interrogatório, Lula diz que pensou em comprá-lo, mas que dono não queria vender Em interrogatório, Lula diz que pensou em comprá-lo, mas que dono não queria vender Reviewed by Voz de Rondônia on novembro 14, 2018 Rating: 5

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