Candidato conservador, que conta com apoio de Trump, mantém estreita dianteira sobre rival em meio a acusações de fraude e pressão externa. Candidatos à presidência de Honduras trocam acusações
Porto Velho, RO - O povo hondurenho completou duas semanas sem conhecer o resultado oficial do pleito presidencial realizado em 30 de novembro. A apuração coloca à frente o empresário conservador Nasry Asfura, de 67 anos, por uma margem inferior a dois pontos percentuais, que disputa com o apresentador de televisão Salvador Nasralla, de 72 anos.
Enquanto Asfura conta com o apoio do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Nasralla alega haver “fraude” no processo eleitoral em benefício de seu concorrente.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) tem até o dia 30 de dezembro para declarar o novo presidente desta nação, que enfrenta elevados índices de pobreza e violência. A credibilidade do órgão arbitral é frequentemente questionada, pois seus principais líderes representam os três partidos políticos de maior expressão no país.
Contagem de votos sob suspeita
Em reação às alegações de manipulação do resultado, o CNE anunciou que realizaria uma recontagem das atas com “inconsistências”. A apuração inicial sofreu interrupções recorrentes devido a falhas nos sistemas informáticos. Contudo, o início desse procedimento, que deveria ser fiscalizado pelas legendas políticas, permanece pendente.
O Partido Liberal, de Nasralla, exige que a totalidade dos votos seja recontada. O candidato afirma que o CNE deseja revisar apenas 39% das atas questionáveis. Segundo Nasralla, este número de atas representa doze vezes a vantagem atualmente desfrutada por Asfura. Conselheira eleitoral Cossette López declarou que “estão exercendo pressões ilícitas sobre o CNE, exigindo recontagens à margem da lei”, conforme publicado no X.
Apesar do atraso na divulgação dos números conclusivos ser considerado “não é justificável” pela Organização dos Estados Americanos (OEA), a missão eleitoral do bloco continental não encontrou “quaisquer indícios que lancem dúvidas sobre os resultados”. De maneira similar, observadores da União Europeia junto à OEA também asseguraram não terem verificado “nenhuma irregularidade” que pudesse comprometer os resultados provisórios.
Polarização e influência americana
O presidente Donald Trump tem expressado apoio a Nasry Asfura. A ideia é consolidar um bloco alinhado à direita na América Latina. Trump avisou sobre as “consequências graves” para Honduras, caso os resultados favoráveis a Asfura fossem alterados.
A intervenção americana também envolveu o indulto concedido ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, do mesmo partido de Asfura, que cumpria pena nos Estados Unidos por delitos de narcotráfico.
A atual presidente de Honduras, Xiomara Castro, insiste na culpabilidade de Hernández e considera a “interferência” de Trump, junto a supostas irregularidades como coação eleitoral por grupos criminosos, um “golpe eleitoral”.
Rixi Moncada, candidata da esquerda que ficou em terceiro lugar, também afirma que não reconhecerá o desfecho do processo, citando “interferência estrangeira” e eleições que não foram livres.
Fonte: O Antagonista



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