Entre montanhas, termas e miradouros sobre rios, alguns antigos hotéis em Portugal transformaram-se em símbolos de um tempo que passou. 4 hotéis portugueses que foram do luxo à ruína e que o tempo apagou
Porto Velho, RO - Entre montanhas, termas e miradouros sobre rios, alguns antigos hotéis em Portugal transformaram-se em símbolos de um tempo que passou.
Onde antes havia hóspedes, música e jantares formais, hoje predominam paredes nuas, estruturas em ruína e projetos à espera de aprovação, refletindo mudanças profundas no turismo, na economia e na forma de viajar.
Por que surgiram tantos hotéis abandonados em Portugal
O aparecimento de unidades hoteleiras em ruína liga-se ao declínio do termalismo clássico e à transformação dos hábitos de lazer.
Hotéis como o do Parque, no Gerês, ou o Boavista, na Curia, perderam hóspedes com o avanço da medicina, a diversificação dos destinos e o fim das longas estadias em estâncias termais.
Ao mesmo tempo, o turismo de massas e as viagens de baixo custo mudaram a lógica de investimento.
Grandes empreendimentos em zonas de natureza, como o Hotel Monte Palace, exigiam taxas de ocupação elevadas e, quando estas falharam, seguiram-se incumprimentos financeiros, obras interrompidas e falências, como ilustra também o caso do hotel inacabado do Louriçal.
O que representam o Hotel Monte Palace e outros hotéis emblemáticos
Junto à Lagoa das Sete Cidades, o Monte Palace tornou-se símbolo do luxo insustentável nos Açores.
Concebido como unidade de cinco estrelas, funcionou pouco tempo antes de encerrar, sendo depois alvo de vandalismo e degradação, em forte contraste com a paisagem natural intacta que o rodeia.
Realidades semelhantes surgiram em terra firme, com o antigo Hotel do Parque, no Gerês, ligado às termas e já demolido após anos de abandono, e o Hotel Boavista, na Curia, marcado pela queda de popularidade das estâncias termais e por um lento processo de degradação física e simbólica.
4 hotéis portugueses que foram do luxo à ruína e que o tempo apagou. Foto: Google MapsQue destinos têm projetos de reconversão destes hotéis
Nem todos os hotéis fantasmas mantêm o destino selado, e alguns passaram a integrar novos projetos turísticos.
O Palacete do Mondego, em Penacova, passou de preventório para hotel de três estrelas, encerrou em 2007 e foi recentemente adquirido por um grande grupo hoteleiro, com planos para reabertura como unidade de quatro estrelas focada no turismo de natureza no Vale do Mondego.
A antiga Estalagem de Seia, na Serra da Estrela, também encerrou após perder competitividade, mas um projeto prevê o chamado Hotel Gelo, com spa, piscina aquecida, pista de gelo e equipamentos desportivos, atraindo visitantes ao longo de todo o ano e não apenas na época de neve.
Quais são os principais fatores que explicam estes abandonos
Ao analisar o conjunto de hotéis abandonados em Portugal, percebe-se um padrão de causas recorrentes.
Estes fatores ajudam a entender por que tantas unidades de renome acabaram vazias ou demolidas, apesar das memórias positivas que deixaram em antigos hóspedes e comunidades locais.
- Mudança no perfil do turista – viagens mais curtas, alojamentos flexíveis e turismo local substituíram parte das estadias longas em hotéis tradicionais.
- Elevados custos de manutenção – edifícios antigos exigem obras constantes e investimentos em energia, segurança e acessibilidade.
- Concentração do turismo – regiões do interior, dependentes de termas ou neve sazonal, sofreram mais com a quebra de fluxo.
- Licenciamento e financiamento complexos – processos demorados podem deixar obras inacabadas, como no caso do Louriçal.
O futuro destes edifícios permanece em aberto, mas alguns sinais apontam para a sua integração em estratégias de turismo de natureza e de experiência.
Projetos de requalificação valorizam património arquitetónico, bem-estar e contacto com a paisagem, transformando ruínas em alojamentos modernos.
Ao mesmo tempo, estruturas como o Monte Palace ou o hotel inacabado do Louriçal levantam questões de segurança, impacto visual e planeamento urbano.
Entre ruínas, reconversões e obras suspensas, estes hotéis funcionam como registo de um ciclo económico que mudou e como ponto de partida para novas formas de ocupação do território.
Fonte: O Antagonista



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