Sem entrar em avaliações, a chancelaria ressaltou que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”. Foto: Rogério Cassimiro/MMA
Porto Velho, RO - O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, acompanhar “com preocupação” a evolução das manifestações que ocorrem no Irã desde o dia 28 de dezembro e lamentou as mortes registradas durante os protestos. Em nota divulgada pelo Itamaraty, o Brasil manifestou condolências às famílias das vítimas.
Sem entrar em avaliações sobre a política interna iraniana, a chancelaria ressaltou que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”. O governo brasileiro também fez um apelo para que os diferentes atores envolvidos na crise se engajem em um “diálogo pacífico, substantivo e construtivo”.
Desde o final de semana, com a intensificação da crise, o Itamaraty vinha sendo pressionado a ser manifestar sobre o assunto. A fala do governo brasileiro veio em uma nota protocolar.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a Embaixada do Brasil em Teerã segue monitorando a situação e permanece atenta às necessidades da comunidade brasileira que vive no país. Até o momento, de acordo com a nota, não há registro de brasileiros mortos ou feridos em decorrência das manifestações.
Mortos em protestos no Irã
Segundo a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, pelo menos 648 manifestantes, incluindo nove menores de 18 anos, foram mortos durante os protestos no Irã. Além disso, milhares de pessoas ficaram feridas.
A ONG estima que mais de 10 mil pessoas foram presas pelas forças de segurança nos últimos 16 dias.
“O assassinato generalizado de manifestantes civis nos últimos dias pela República Islâmica faz lembrar os crimes do regime na década de 1980, que foram reconhecidos como crimes contra a humanidade. O risco de execuções em massa e extrajudiciais de manifestantes é extremamente sério. Sob a Responsabilidade de Proteger, a comunidade internacional tem o dever de proteger manifestantes civis contra assassinatos em massa por parte da República Islâmica e do seu Corpo de Guardas Revolucionárias Islâmicas. Apelamos às pessoas e à sociedade civil dos países democráticos para que lembrem aos seus governos essa responsabilidade”, disse o diretor da Iran Human Rights, Mahmood Amiry-Moghaddam.
Pressão dos EUA
A presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na segunda-feira, 12, a imposição de uma tarifa de 25% a todos os países que façam negócios com o Irã.
A decisão foi tomada em meio aos protestos contra o regime iraniano do aiatolá Ali Khamenei.
Em sua rede Truth Social, o republicano publicou:
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é final e irrecorrível. Agradecemos a sua atenção a este assunto! PRESIDENTE DONALD J. TRUMP (TS: 12 de janeiro, 16h46 ET).”
O Brasil, que até agora não se manifestou sobre a violenta repressão iraniana aos protestos, tem o Irã como um de seus principais parceiros comerciais no Oriente Médio.
Em 2025, as exportações brasileiras para Teerã ultrapassaram 2,9 bilhões de dólares.
Leia a nota na íntegra do Itamaraty:
O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã.
O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas.
Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo.
O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã.
Não há registros, até o momento, de nacionais mortos ou feridos.
Fonte: O Antagonista



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