Julio Casares resiste à pressão e descarta renúncia no São Paulo em meio a investigação policial sobre R$ 1,5 mi em depósitos

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Julio Casares resiste à pressão e descarta renúncia no São Paulo em meio a investigação policial sobre R$ 1,5 mi em depósitos

Presidente do SPFC, Julio Casares, está sob investigação da Polícia Civil por conta de depósitos em dinheiro vivo de R$ 1,5 milhão em sua conta pessoal. Julio Casares, presidente do São Paulo FC. Foto: Pedro França/Agência Senado

Porto Velho, RO - O presidente do São Paulo Futebol Clube (SPFC), Julio Casares, negou publicamente qualquer possibilidade de renúncia ou afastamento do cargo, mesmo sob o peso de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo que apura depósitos de R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo em sua conta pessoal.

A revelação, publicada pelo UOL na manhã dessa 3°feira, 6, intensificou a crise na gestão tricolor, já abalada por problemas financeiros e desempenho irregular em campo.

Origem da investigação contra Julio Casares e movimentações suspeitas

Os fatos vieram à tona por meio de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram 35 depósitos fracionados entre janeiro de 2023 e maio de 2025, totalizando R$ 1,5 milhão.

Operações como 12 entradas no mesmo dia, somando até R$ 49 mil, evitam o gatilho automático de alertas acima de R$ 50 mil. Paralelamente, o clube efetuou 35 saques em espécie de R$ 11 milhões entre 2021 e 2025, sem registros claros de finalidade.

Esses valores representam quase 50% da renda de Casares no período, superando em muito os salários pagos pelo São Paulo (19,3% do total).

A ex-mulher do presidente, Mara Casares – ex-diretora de eventos do clube, demitida por suspeitas em esquema de venda ilegal de camarotes no Morumbi –, aparece em 104 boletos pagos via conta dele.

O inquérito tramita em segredo de justiça na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio Público e Administração Pública.

Resposta oficial e histórico de controvérsias de Julio Casares

Em nota assinada por seus advogados, Daniel Bialski e Bruno Borragine, Casares nega qualquer ilicitude. “As movimentações decorrem de rendimentos lícitos de atividades privadas anteriores à presidência, com comprovação fiscal integral“, afirma o texto.

O dirigente comunicou a membros da coalizão política no clube que permanecerá no posto, rejeitando apelos por renúncia.

Não é a primeira vez que Casares enfrenta escrutínio. Em novembro de 2025, após goleadas humilhantes e crise financeira, ele descartou saída, anunciou a contratação de um CEO estrangeiro e dividiu culpas com antecessores.

Em 2019, já havia investigações do Ministério Público sobre pagamentos milionários via escritório de advocacia ligado a ex-dirigentes.

Pressões internas e impacto no clube

O Conselho Consultivo do São Paulo sinaliza endurecimento: reuniões emergenciais discutem moção de censura ou convocação de eleições antecipadas para blindar a imagem do Tricolor. Opositores, como o ex-presidente Leco, cobram transparência total.

Nas redes, torcedores dividem-se: #ForaCasares ganha tração, enquanto aliados falam em “armação política”.

O SPFC, com dívidas milionárias e fora da zona de Libertadores, vê o caso agravar a instabilidade.

Casares tem mandato até dezembro de 2026, mas o Ministério Público pode requisitar quebra de sigilo. O clube não se pronunciou oficialmente.

Contexto no futebol brasileiro

O episódio reforça críticas à governança em clubes brasileiros, ecoando escândalos como o da CBF e fraudes em gestões passadas.

Especialistas defendem auditorias independentes para evitar repetições.

Fonte: O Antagonista

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