Porto Velho, RO - Enquanto o Irã não decide pela interrupção do seu programa de enriquecimento de urânio, aviões de guerra e esquadrões aéreos dos Estados Unidos passaram a ocupar posições próximas ao Golfo Pérsico após reuniões reservadas na Casa Branca nas quais mapas operacionais e alvos iranianos foram apresentados a assessores de segurança nacional.
Relatos do New York Times apontaram que Donald Trump revisou planos militares atualizados e pediu opções graduais que incluíssem ataques limitados a instalações ligadas ao programa nuclear do Irã. Oficiais ouvidos pelo jornal citaram centros de comando, depósitos de mísseis e bases da Guarda Revolucionária entre os pontos avaliados.
O deslocamento foi acompanhado por um aumento incomum de meios militares. O Wall Street Journal informou que Washington reuniu na região a maior concentração de poder aéreo desde a guerra do Iraque em 2003.
No Bahrein fica a Quinta Frota da Marinha americana, responsável por coordenar operações navais no Golfo. Com a chegada do Gerald Ford nos próximos dias, a força deve operar dois grupos de porta-aviões no entorno da região. Cada grupo inclui um porta-aviões nuclear com cerca de 70 a 80 aeronaves embarcadas, além de um cruzador, três a cinco destróieres e ao menos um submarino de ataque.
Um único porta-aviões consegue manter de 120 a 150 missões aéreas por dia em ritmo intenso. A presença de dois permite operações contínuas. Cada destróier possui entre 90 e 120 células de lançamento vertical e, somados, os navios de escolta podem concentrar algumas centenas de mísseis de cruzeiro Tomahawk capazes de atingir alvos a mais de mil quilômetros. Submarinos nucleares também carregam esse tipo de armamento.
Já na Força Aérea, o contingente total estimado varia entre 150 e 200 aeronaves. O conjunto inclui cerca de 40 a 60 caças F-15, F-16 e F/A-18, além dos modernos F-22 e F-35 de mais difícil detecção pelos radares de defesa iranianos e 8 a 12 bombardeiros estratégicos B-52 e B-1 em rotação.
Mais de 30 aviões-tanque KC-135 e KC-46 sustentam missões de longa duração dos Estados Unidos, permitindo que aeronaves decolem dos próprios Estados Unidos e ataquem sem pouso intermediário. A estrutura também conta com aviões de alerta antecipado E-3, aeronaves de guerra eletrônica, radares aerotransportados e drones MQ-9 de vigilância e ataque.
A rede de bases sustenta a operação. A base aérea de Al Udeid, no Catar, funciona como centro de comando aéreo. Instalações no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos recebem caças e apoio logístico.
Para defesa, foram posicionadas baterias Patriot PAC-3 e sistemas antimísseis THAAD, apoiados por radares AN/TPY-2 de longo alcance. Esses sistemas protegem bases, portos e instalações energéticas e também servem para interceptar eventuais mísseis ou drones lançados pelo Irã ou por grupos aliados na região.
A forte presença militar indica preparação para ataques limitados a alvos militares e nucleares, enquanto os Estados Unidos tentam aumentar a pressão sobre Teerã sem partir para uma guerra direta.
Fonte: O Antagonista/José Inácio Pilar



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