Pezeshkian se declara envergonhado com mortes, mas não menciona atuação de forças de segurança na repressão que deixou milhares de vítimas. Foto: Reprodução/CNN
Porto Velho, RO - O ditador iraniano Masoud Pezeshkian apresentou nesta terça-feira, 11, um pedido público de desculpas à população afetada pela violência nos protestos contra o regime, iniciados no final de 2025. A declaração foi dada durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Islâmica, em Teerã.
“Estamos envergonhados perante o povo e temos a obrigação de auxiliar todos aqueles que foram afetados nesses incidentes. Não buscamos confronto com o povo”, afirmou. Ele acrescentou: “Não tenho dormido muitas noites e estou muito triste por termos chegado a esta situação, mas não temos outra escolha senão ficar e reconstruir o país”.
Apesar do tom conciliador, Pezeshkian não reconheceu a participação das forças de segurança, incluindo a Guarda Revolucionária, nas ações que resultaram em prisões, agressões e mortes. Grupos de defesa dos direitos humanos estimam que mais de 6 mil pessoas tenham morrido desde o início dos distúrbios.
Repressão sem precedentes
A onda de manifestações começou no final de 2025, motivada pela deterioração econômica. O rial, moeda local, registra quedas diárias, a inflação supera 50% ao ano e o país sofre com bloqueio financeiro decorrente de sanções internacionais.
Embora levantes ligados a questões econômicas sejam comuns no Irã, a resposta do regime neste ciclo alcançou níveis de violência inéditos nas últimas décadas. Segundo levantamento do serviço persa da BBC, as forças de segurança utilizaram desde facões e porretes até metralhadoras nas ruas.
A Anistia Internacional acusou as autoridades iranianas de praticar “assassinatos ilegais em massa numa escala sem precedentes para esmagar o levante popular que exigia o fim do seu regime repressivo”. A organização classificou a ação como “uma repressão militarizada e coordenada para impedir novas dissidências e ocultar os seus crimes”.
A agência HRANA, sediada nos Estados Unidos, contabilizou mais de 6 mil mortos. Números independentes, com base em fontes locais, apontam para até 30 mil vítimas fatais.
Fonte: O Antagonista



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