Por que a China construiu “metrôs fantasma”?

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Por que a China construiu “metrôs fantasma”?

Ao longo das últimas duas décadas, a China expandiu rapidamente suas linhas de metrô, inaugurando estações em áreas ainda vazias. Por que a China construiu "metrôs fantasma"? - Créditos: depositphotos.com / Yucalora

Porto Velho, RO - Ao longo das últimas duas décadas, a China expandiu rapidamente suas linhas de metrô, inaugurando estações em áreas ainda vazias, cercadas por terrenos agrícolas, obras e bairros em formação, que ficaram conhecidas como “estações fantasma”.

O que são as estações fantasma na expansão do metrô chinês

As chamadas estações fantasma são paragens de metrô abertas antes da chegada de moradores e de atividades económicas ao seu redor. À primeira vista, pareciam infraestruturas modernas sem utilizadores, o que gerou acusações de desperdício de recursos públicos.

Com o tempo, muitos desses locais foram ocupados por conjuntos residenciais, centros comerciais, escolas e escritórios, transformando plataformas vazias em pontos de grande movimento.

O que foi rotulado como “metrô para lado nenhum” passou a ser entendido como parte de uma estratégia de longo prazo.

Por que a China construiu “metrôs fantasma”? – Créditos: depositphotos.com / xexuxus

Como o transporte coletivo foi usado para orientar o crescimento urbano

Em vez de levar linhas apenas a zonas já densas, planeadores chineses definiram o metrô como eixo estruturador de futuros bairros. A prioridade foi garantir primeiro a ligação rápida ao centro para tornar atrativas áreas periféricas e pouco povoadas.

Assim, o transporte coletivo pesado deixou de ser apenas resposta ao congestionamento e passou a atuar como motor de urbanização. Novos empreendimentos imobiliários, equipamentos públicos e centralidades passaram a ser organizados em torno das estações previstas.

Como funciona o desenvolvimento orientado pelo transporte na prática

O chamado “metrô para lado nenhum” está ligado ao desenvolvimento orientado pelo transporte, em que se planeiam eixos de mobilidade antes do adensamento urbano. As estações foram projetadas em locais ainda vazios, mas com forte potencial de crescimento futuro.

Essas áreas eram identificadas por múltiplos sinais de expansão planeada, o que ajudou a costurar futuros polos de emprego e moradia ao longo das linhas de metrô:
  • novos loteamentos residenciais já aprovados ou em construção;
  • zonas destinadas a universidades, parques tecnológicos e equipamentos públicos;
  • corredores viários em obras ou projetados para ligação regional;
  • terrenos leiloados com obrigações de desenvolvimento imobiliário.
Quais lições os metrôs chineses oferecem para o planeamento urbano

A experiência chinesa mostra que antecipar a infraestrutura pode evitar investimentos mais caros no futuro, como túneis em áreas densas e grandes desapropriações. Também permite reduzir a dependência do automóvel, evitando que novos bairros surjam como cidades-dormitório.

Por que a China construiu “metrôs fantasma”? – Créditos: depositphotos.com / zhudifeng

Especialistas destacam a importância de aceitar alguns anos de baixa utilização como investimento de longo prazo e de comunicar prazos realistas aos moradores, explicando que serviços complementares e comércio de bairro podem levar uma década para se consolidar.

Em que condições outras cidades podem adotar metrôs para áreas pouco habitadas

Em países com rápido crescimento urbano e expansão periférica, a construção de linhas em zonas ainda pouco habitadas tem sido considerada uma alternativa de planeamento. Essa abordagem, contudo, exige forte capacidade de financiamento e instituições estáveis.

Onde o crescimento desacelera ou é incerto, aumenta o risco de estações permanecerem subutilizadas. Por isso, é essencial integrar o planeamento de transporte com políticas de uso do solo, habitação e desenvolvimento económico para evitar a criação de ativos ociosos.

Fonte: O Antagonista

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