Porto Velho, RO - Na região central da Bolívia, uma extensa faixa de floresta que conecta os Andes à Amazônia ganhou novo status de proteção e passou a ocupar papel estratégico na conservação da biodiversidade sul-americana.
O que caracteriza o corredor de biodiversidade na Bolívia?
O chamado corredor de biodiversidade na Bolívia descreve o conjunto de parques nacionais, reservas municipais e territórios indígenas que se conectam desde as florestas nubladas próximas a La Paz até as zonas de transição para a Amazônia.
O corredor está a Área Protegida Municipal Serranías y Cuencas de Palos Blancos, que abriga mais de 1.300 espécies nativas registradas, incluindo ao menos 13 endêmicas do país.
Cerca de 86% das florestas dentro dessa área não apresentam registro de desmatamento ou exploração significativa, o que favorece espécies de grande porte, como a onça-pintada e o macaco-aranha.
Bolívia cria corredor gigante de proteção entre Andes e Amazônia – Créditos: Andes Amazon FundPor que essa região é tão importante para a biodiversidade?
Entre montanhas cobertas por neblina e vales úmidos, essa porção dos Andes bolivianos combina florestas nubladas de altitude e florestas amazônicas de baixa encosta.
Em poucos quilômetros, há grande variação de clima, solo e altitude, criando nichos diversos para anfíbios, aves, mamíferos e plantas, muitas delas endêmicas e ainda pouco estudadas.
Espécies como o urso-andino, a onça-pintada e várias aves migratórias utilizam esse gradiente para buscar alimento, abrigo e rotas de deslocamento ao longo do ano.
Quais benefícios ambientais o corredor proporciona?
A estratégia boliviana prioriza um mosaico de unidades de conservação interligadas, em vez de áreas isoladas.
Essa conexão reduz o efeito de “ilhas de floresta” cercadas por atividades humanas e garante florestas contínuas, fundamentais para a migração, reprodução e dispersão de espécies de grande porte e de ocorrência restrita.
Entre os principais benefícios gerados por essa rede de áreas protegidas, destacam-se funções ecológicas e sociais que impactam diretamente populações humanas e a estabilidade ambiental regional:
- Proteção da água: conservação de nascentes e bacias que abastecem comunidades;
- Manutenção de habitats: suporte a espécies ameaçadas e endêmicas;
- Regulação climática local: influência em temperatura e regime de chuvas;
- Respeito a territórios indígenas: integração de áreas tradicionais ao planejamento.
A formação do corredor de biodiversidade na Bolívia resultou da cooperação entre governos municipais, organizações ambientais e comunidades locais.
O processo incluiu consultas públicas, análise de impactos socioambientais e definição legal das novas áreas protegidas em âmbito municipal e provincial.
Bolívia cria corredor gigante de proteção entre Andes e Amazônia – Créditos: depositphotos.com / gustavofrazaoFundos voltados para a região Andes-Amazônia, organizações bolivianas e instituições internacionais contribuíram com recursos e apoio técnico para implementação, manejo e fiscalização inicial.
Quais são os principais desafios futuros para o corredor?
A consolidação desse grande corredor ecológico exige ações contínuas de gestão e controle. Rodovias, expansão agrícola, extração de madeira e mineração ainda pressionam a integridade das florestas, tornando essencial o planejamento territorial e a fiscalização efetiva em todos os níveis de governo.
Com mais de 1 milhão de acres em áreas protegidas conectadas, o corredor tende a se tornar referência regional, desde que se mantenham alternativas econômicas sustentáveis para as populações locais e proteção consistente da água e da biodiversidade andino-amazônica.
Fonte: O Antagonista



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