Análises de DNA realizadas em sítio de antigo centro de detenção confirmam identidade de 12 vítimas do regime militar. Reprodução/ Governo da Argentina
Porto Velho, RO - A Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) identificou os restos mortais de doze pessoas mortas durante a ditadura militar argentina (1976–1983). Os vestígios foram encontrados no terreno da antiga instalação clandestina conhecida como “La Perla”, situada na província de Córdoba, região central do país. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 10, pelas autoridades argentinas.
As identificações resultaram de análises antropológicas e genéticas conduzidas pela EAAF sobre material ósseo recuperado na Guarnição Militar de La Calera, onde o centro de detenção operava. A organização tem atuação reconhecida internacionalmente no campo da identificação de vítimas de violações de direitos humanos por meio de exames de DNA.
Famílias serão comunicadas antes da divulgação pública
O tribunal que conduz o caso tem a responsabilidade de informar os familiares das vítimas sobre as identificações. Apenas após esse contato, e desde que as famílias concordem, os nomes dos indivíduos poderão ser tornados públicos.
Os restos mortais foram localizados em 2025, e as conclusões das análises chegam em um momento de forte simbolismo: o país se prepara para marcar, em 24 de março de 2026, o 50º aniversário do golpe de Estado que instaurou a ditadura.
La Perla: entre 2.500 e 3.000 passaram pelo local
“La Perla” funcionou entre 1976 e 1978 sob controle do Exército argentino e foi palco de assassinatos em massa. Segundo estimativas do Arquivo Provincial da Memória de Córdoba, entre 2.500 e 3.000 pessoas passaram por aquele local durante os dois anos de operação. A instalação fica a poucos quilômetros da cidade de Córdoba.
Organizações de direitos humanos calculam que aproximadamente 30 mil pessoas foram detidas e desapareceram ao longo do período ditatorial em todo o território argentino. Centenas de centros clandestinos semelhantes existiram espalhados pelo país.
Todo ano, em 24 de março, centenas de milhares de argentinos vão às ruas para exigir esclarecimentos sobre o paradeiro das vítimas – informação que ex-integrantes das Forças Armadas se recusam a fornecer.
Fonte: O Antagonista



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