No fundo do Lago Neuchâtel, é descoberta a carga de um barco romano cheio de ânforas de azeite da Península Ibérica

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No fundo do Lago Neuchâtel, é descoberta a carga de um barco romano cheio de ânforas de azeite da Península Ibérica

Trata-se dos vestígios de uma embarcação naufragada há cerca de dois mil anos, em um raro contexto preservação.No fundo do Lago Neuchâtel, é descoberta a carga de um barco romano cheio de ânforas de azeite da Península Ibérica. Foto: Fundação Octopus

Porto Velho, RO - Um antigo carregamento em um barco romano encontrado no fundo do lago de Neuchâtel, na Suíça, tem chamado a atenção de arqueólogos desde 2025.

Trata-se dos vestígios de uma embarcação naufragada há cerca de dois mil anos, em um raro contexto preservado em águas interiores ao norte dos Alpes, que oferece novas pistas sobre comércio, tecnologia e circulação de pessoas no início do Império Romano.

Como o carregamento romano foi descoberto no lago de Neuchâtel

A descoberta, realizada pela Fundação Octopus, resultou de um monitoramento sistemático do leito do lago, conduzido por instituições cantonais e fundações especializadas em patrimônio submerso.

Imagens aéreas, sonares e mergulhos técnicos permitiram localizar, mapear e registrar centenas de objetos, mesmo sem restos estruturais claros da embarcação.

O conjunto do material possibilitou reconstruir parte da história do naufrágio e de sua rota comercial.

A documentação detalhada embaixo d’água garante que os objetos sejam estudados em relação ao seu contexto espacial original, algo essencial para reconstruir o episódio.

No fundo do Lago Neuchâtel, é descoberta a carga de um barco romano cheio de ânforas de azeite da Península Ibérica. Foto: Fundação Octopus

O que foi encontrado no carregamento do barco romano de Neuchâtel?

O carregamento reúne uma grande quantidade de cerâmica de mesa, como pratos, tigelas, copos e travessas, muitas vezes quase intactos.

Estudos preliminares indicam que boa parte dessas peças foi produzida em oficinas regionais da Suíça central, revelando uma rede ativa de produção local integrada ao mundo romano.

Também foram identificadas ânforas de transporte associadas ao comércio de azeite de oliva da Península Ibérica, além de ferramentas, utensílios, ferragens e peças de arreamento e partes de carro, incluindo rodas bem preservadas, sugerindo um sistema de transporte combinado entre rotas aquáticas e terrestres.

Quais são os principais destaques e significados arqueológicos encontrados no barco romano?

A importância do carregamento está na quantidade, diversidade e boa documentação dos materiais, o que permite discutir rotas de comércio, organização logística e técnicas de produção no século I d.C.

A combinação de cerâmica regional com produtos importados mostra a integração da região do lago às grandes redes econômicas do Império Romano.
  • Cerâmica de mesa regional, ligada a oficinas da Suíça central
  • Ânforas com azeite de oliva vindo da Península Ibérica
  • Peças de carro e arneses, indicando transporte misto terra–água
  • Armas romanas, sobretudo gladios, sugerindo presença militar
Como a arqueologia subaquática atua nesse tipo de naufrágio?

A operação em Neuchâtel mostra a combinação de tecnologia, planejamento e rapidez exigida pela arqueologia subaquática, diante da erosão do fundo do lago, da navegação moderna e do risco de saques.

Optou-se por retirar sistematicamente os itens mais vulneráveis, após cuidadosa documentação fotográfica, desenho e georreferenciamento no local.

Depois da recuperação, iniciou-se a etapa de conservação e restauração em laboratório, crucial para estabilizar materiais como cerâmica, madeira e metal após dois milênios submersos.

Sem esses tratamentos, a exposição ao ar poderia comprometer tanto os estudos quanto a futura exibição pública das peças.

No fundo do Lago Neuchâtel, é descoberta a carga de um barco romano cheio de ânforas de azeite da Península Ibérica. Foto: Fundação Octopus

Quais perspectivas se abrem para pesquisa e público

Os estudos em andamento investigam as oficinas de cerâmica envolvidas, a origem exata das ânforas e a composição dos materiais, por meio de análises químicas, exames microscópicos e comparações com outros sítios romanos.

Assim, o lago de Neuchâtel aparece como ponto estratégico em uma rede mais ampla de circulação econômica e administrativa.

As instituições responsáveis planejam exposições em museus de arqueologia locais, destacando não apenas os objetos, mas também o contexto subaquático e os desafios de preservação.

O carregamento romano reforça o papel da arqueologia preventiva em lagos e rios, em um cenário de crescente pressão turística, de navegação e de mudanças ambientais.

Fonte: O Antagonista

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