Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) emitiu uma decisão monocrática que constata o descumprimento de cinco das seis determinações feitas à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para a melhoria das condições do Hospital Infantil Cosme e Damião (HICD), em Porto Velho.
A decisão, assinada pelo conselheiro-substituto Omar Pires Dias e publicada nesta quarta-feira (11), aponta que o plano de ação apresentado pela gestão estadual não saiu do papel em pontos fundamentais como adequação da infraestrutura, contratação de profissionais e andamento de obras.
O que foi determinado e o que não foi cumprido?
O Tribunal havia estabelecido seis obrigações para a Sesau e a direção do hospital, com prazo de 180 dias. Veja o balanço:
| Determinação | Situação | Principais problemas apontados |
|---|---|---|
| Adequação às normas sanitárias, acessibilidade e combate a incêndio | ❌ Não cumprida | Projetos não saíram do papel; hospital segue sem adequações concretas |
| Contratação de profissionais de saúde | ❌ Não cumprida | Ausência de medidas efetivas para recompor o quadro de funcionários |
| Plano de ação de médio e longo prazo | ❌ Não cumprida | Planejamento apresentado foi considerado insuficiente e incompleto |
| Reforma e ampliação do HICD | ❌ Não cumprida | Obras seguem sem avanço concreto; projetos ainda em fase preparatória |
| Construção da Maternidade de Alto Risco | ❌ Não cumprida | Empreendimento segue parado, sem evolução material |
| Formalização de fluxograma para alterações de layout | ⚠️ Parcialmente cumprida | Documentos foram criados, mas ainda não há consolidação prática |
Entenda o caso
A fiscalização do TCE-RO no Hospital Infantil Cosme e Damião não é de hoje. Em janeiro de 2022, uma diligência já havia constatado situações de manifesta precariedade, incluindo:
- Insuficiência de leitos de UTI
- Pacientes alocados em corredores
- Infiltrações e falhas estruturais
- Condições inadequadas das instalações físicas
Agora, passado esse período, a equipe técnica do TCE-RO realizou nova vistoria e concluiu que as medidas permanecem no campo do planejamento, sem execução material.
O que diz a defesa?
Em sua manifestação, a Secretaria de Estado da Saúde informou que:
- Há um processo seletivo simplificado em andamento para contratação temporária de profissionais
- Estão sendo realizados estudos para concurso público
- Foi firmado convênio com a UNOPS (órgão da ONU) para estruturação de plano de manutenção predial
- Projetos de engenharia estão em fase de elaboração
Prazos e próximos passos
A decisão do TCE-RO determina a notificação dos responsáveis para apresentação de justificativas no prazo de 15 dias. São eles:
Jefferson Ribeiro da Rocha, Secretário de Estado da Saúde
Sérgio Silva Pereira, ex-Diretor Geral do Hospital Infantil Cosme e Damião
Fransciane de Souza Santana, atual Diretora Geral do HICD
Antonieta Ferreira Machado de Oliveira, ex-Diretora Geral
Caso as justificativas não sejam apresentadas ou sejam consideradas insuficientes, os gestores estão sujeitos a multas previstas no artigo 55 da Lei Complementar nº 154/96, que podem chegar a valores significativos.
Impacto para a população
O Hospital Infantil Cosme e Damião é a principal referência em pediatria no estado de Rondônia. A falta de adequações estruturais e de profissionais impacta diretamente a qualidade do atendimento às crianças e suas famílias.
O Ministério Público de Contas, que também atuou no caso, destacou que a situação envolve o núcleo essencial do direito fundamental à saúde, não podendo ser tratada como mera discricionariedade administrativa.
O Conselho Regional de Medicina (Cremero) e o Ministério Público Estadual também serão comunicados da decisão, considerando que acompanham a situação da unidade hospitalar.
O que diz o TCE-RO
Na decisão, o conselheiro Omar Pires Dias faz uma distinção importante: "Planejamento estruturado não se confunde com execução material". Segundo ele, a apresentação de cronogramas e diretrizes administrativas não é suficiente para caracterizar o cumprimento das determinações do Tribunal.
O magistrado também ressaltou o lapso temporal significativo desde as primeiras determinações, ainda em 2022, sem que as adequações tenham sido concluídas.



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