Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) identificou fortes indícios de dano ao erário em um contrato de mais de R$ 14 milhões firmado para serviços de regularização fundiária urbana em Rondônia.
A decisão foi tomada pelo conselheiro relator José Euler Potyguara Pereira de Mello no processo nº 00680/24, que trata da fiscalização do Contrato nº 0561/SEOSP/PGE/2023, firmado entre a Secretaria de Estado de Obras e Serviços Públicos de Rondônia (SEOSP) e a empresa PAS – Projeto, Assessoria e Sistema Ltda.
Segundo o tribunal, há indícios de sobrepreço, pagamentos em duplicidade e serviços pagos sem a efetiva entrega do resultado, o que pode ter causado prejuízo milionário aos cofres públicos.
Contrato previa serviços de regularização fundiária
O contrato foi firmado em 2023 com valor global de R$ 14.158.804,90 para prestação de serviços técnicos de engenharia e arquitetura voltados à regularização fundiária urbana (REURB).
Entre os serviços contratados estavam:
- levantamentos topográficos
- georreferenciamento
- cartografia
- aerofotogrametria
- elaboração de projetos para regularização de áreas urbanas
Fiscalização encontrou projetos parados e pagamentos já realizados
Durante auditoria, o TCE verificou que pagamentos elevados foram feitos mesmo sem a conclusão das etapas essenciais da regularização fundiária.
Segundo o relatório técnico:
- os processos de regularização de bairros como Nacional, São João Bosco e São Sebastião, em Porto Velho, estão paralisados na prefeitura;
- não houve aprovação técnica dos projetos pelos órgãos municipais;
- também não foi emitida a Certidão de Regularização Fundiária (CRF), documento essencial para a conclusão do processo.
Possível prejuízo aos cofres públicos
A análise do tribunal identificou três frentes principais de possíveis danos:
- R$ 3.584.530,78 por suspeita de sobrepreço;
- R$ 5.436.157,75 por pagamentos em duplicidade de serviços;
- R$ 2.701.385,52 por pagamentos feitos sem a efetiva entrega do serviço.
Tribunal aponta falhas graves no planejamento
De acordo com o relator, a origem dos problemas estaria em falhas no planejamento da contratação.
O TCE apontou que a secretaria estadual:
- aderiu à ata de preços sem estudos de vantajosidade;
- ignorou alertas da Procuradoria-Geral do Estado sobre riscos na contratação;
- permitiu pagamentos integrais antes da conclusão das etapas do serviço.
Gestores e empresa terão que se explicar
Com base nos indícios identificados, o TCE determinou a citação de gestores públicos e da empresa contratada, que terão 30 dias para apresentar defesa ou devolver valores aos cofres públicos.
Entre os responsáveis citados estão:
- Elias Rezende de Oliveira – secretário da SEOSP
- Adamir Ferreira da Silva – coordenador administrativo-financeiro
- Nivaldo Faria Castro – gerente administrativo
- Lidelberton Alves Linhares Junior – fiscal do contrato
- PAS - Projeto, Assessoria e Sistema Ltda. – empresa contratada
TCE também cobra explicações sobre andamento da regularização
Além das citações, o tribunal determinou que a Secretaria de Estado de Patrimônio e Regularização Fundiária (SEPAT) informe:
- se houve avanço na regularização dos bairros atendidos pelo contrato;
- por que os processos ficaram paralisados nos órgãos municipais;
- quais medidas estão sendo adotadas para dar continuidade ao projeto.



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