Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) determinou nova fase de defesa em um processo que investiga possíveis irregularidades na contratação de serviços advocatícios pela Prefeitura de São Felipe do Oeste. A decisão foi proferida pelo conselheiro relator José Euler Potyguara Pereira de Mello.
O caso faz parte de uma Tomada de Contas Especial que apura a contratação do escritório Freitas Cassol Advocacia Especializada, realizada por meio de inexigibilidade de licitação em 2023.
Segundo o tribunal, há indícios de irregularidades no processo de contratação e no pagamento de honorários, o que pode resultar em multas e até ressarcimento de valores aos cofres públicos.
Contratação sem licitação está sob análise
A investigação analisa a Inexigibilidade de Licitação nº 003/2023, que resultou no Contrato nº 005/2023 para prestação de serviços de consultoria tributária.
O objetivo do contrato era identificar e recuperar possíveis créditos previdenciários pagos a mais pelo município.
No entanto, auditores do TCE identificaram alguns pontos considerados preocupantes, como:
- Falta de justificativa clara para a escolha do escritório contratado
- Ausência de comprovação da singularidade do serviço, requisito para contratar sem licitação
- Possível sobrepreço nos honorários advocatícios
- Pagamentos realizados com base em créditos tributários ainda não homologados pela Receita Federal
Um dos principais pontos levantados pelo Ministério Público de Contas é que os honorários do escritório teriam sido pagos com base em compensações tributárias ainda não confirmadas pela Receita Federal.
Isso significa que o município pode ter pagado honorários antes da confirmação definitiva de que os créditos realmente existiam.
Caso a Receita Federal rejeite essas compensações futuramente, existe o risco de o município:
- ter que pagar novamente os tributos
- arcar com juros e multas
- e não conseguir recuperar os honorários já pagos ao escritório
Prefeito e secretário terão que apresentar defesa
Diante dos indícios apontados no processo, o TCE determinou a citação de gestores municipais para apresentar justificativas.
Entre os citados estão:
Sidney Borges de Oliveira, prefeito do município
Josiel Silvares de Oliveira, secretário municipal de Administração e Fazenda
De acordo com o processo, ambos teriam assinado autorizações de pagamento que somam mais de R$ 190 mil, mesmo sem documentação considerada essencial para a liquidação da despesa pública.
Também foram chamados a prestar esclarecimentos:
Rosângela das Chagas, ex-controladora interna
Kleber Spanhol, controlador interno
Eles terão prazo de 30 dias para apresentar defesa ou comprovar a regularidade dos atos administrativos.
Divergência entre técnicos do tribunal e Ministério Público de Contas
O processo também revelou divergência dentro do próprio tribunal.
Enquanto a área técnica chegou a sugerir o arquivamento do caso por entender que os serviços foram prestados, o Ministério Público de Contas defendeu que as irregularidades devem ser mantidas, por considerar que:
- houve liquidação irregular de despesas públicas
- os pagamentos ocorreram sem comprovação de resultado concreto para o município
- a contratação pode ter ocorrido sem justificativa adequada para dispensar a licitação



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