A decisão monocrática foi publicada no Diário Oficial da Corte de Contas e faz parte de um processo de fiscalização da execução do Contrato nº 904/2024, firmado pela Secretaria de Estado da Educação (SEDUC).
Contrato de R$ 21 milhões para manutenção de escolas
O contrato investigado tem valor global estimado em R$ 21 milhões e previa a prestação de serviços de engenharia para manutenção predial preventiva, corretiva e preditiva em escolas estaduais.
Os serviços incluíam:
- fornecimento de materiais;
- mão de obra especializada;
- ferramentas e equipamentos;
- manutenção e reforma de unidades escolares.
- Porto Velho
- Guajará-Mirim
- Nova Mamoré
- Candeias do Jamari
- Itapuã do Oeste
TCE identifica baixa execução do contrato
Durante a fiscalização, técnicos do TCE-RO identificaram falhas na gestão e na fiscalização do contrato, além de indícios de inexecução parcial do objeto contratado.
Segundo o relatório técnico:
- apenas 31,95% dos serviços chegaram a ser executados e medidos;
- somente 17 serviços de manutenção foram concluídos;
- o contrato envolvia 75 processos administrativos de obras e reformas.
- 31 obras ficaram paralisadas ou abandonadas
- 27 sequer chegaram a ser iniciadas
Contrato foi rescindido antes da conclusão
Outro ponto destacado pela equipe técnica é que o contrato acabou rescindido antes da conclusão integral dos serviços, mesmo após:
- reajuste de valores;
- prorrogação de prazo por meio de aditivos contratuais.
Responsáveis terão que apresentar defesa
Diante das irregularidades apontadas, o relator do processo determinou a citação dos responsáveis para apresentação de justificativas no prazo de 15 dias.
Foram chamados a se manifestar:
- ex-secretária de Educação, responsável pela gestão anterior do contrato;
- atual secretária da SEDUC;
- gerente de fiscalização de obras da secretaria;
- empresa Terra Forte Eireli, responsável pela execução dos serviços.
Falhas apontadas na gestão e fiscalização
Entre os problemas identificados pelo tribunal estão:
- ausência de designação formal de fiscal do contrato;
- falta de acompanhamento efetivo da execução das obras;
- ausência de registros formais das ocorrências durante a execução;
- medições de serviços não realizadas regularmente;
- falhas na cobrança da empresa para cumprimento do contrato.
TCE cobra explicações após rescisão do contrato
A decisão também determina que a atual secretária da Educação apresente documentos comprovando quais providências foram tomadas após a rescisão do contrato.
Entre as informações exigidas estão:
- medidas para garantir a continuidade dos serviços;
- uso da garantia contratual;
- retenção de valores para cobrir eventuais prejuízos;
- ações para apurar responsabilidades.
Fiscalização faz parte de controle da infraestrutura escolar
A fiscalização integra o Plano Integrado de Controle Externo (PICE) 2024-2025, que tem como objetivo verificar as condições de infraestrutura e manutenção das escolas públicas de Rondônia.
O processo segue em análise no TCE-RO e poderá resultar em:
- responsabilização de gestores ou da empresa contratada;
- aplicação de multas;
- eventual determinação de ressarcimento aos cofres públicos.
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