Departamento de Educação dos EUA apura acusações de discriminação racial e antissemitismo na maior universidade privada do país. Foto: David Adam Kess/Wikimedia Commons
Porto Velho, RO - O governo Donald Trump abriu nesta segunda-feira, 23, mais duas investigações federais contra a Universidade de Harvard, ampliando o confronto entre a administração republicana e uma das instituições de ensino superior mais tradicionais dos Estados Unidos.
O Departamento de Educação informou que seu escritório de direitos civis conduzirá as apurações diante de acusações de que Harvard “continua discriminando estudantes com base em raça, cor e origem nacional”, o que configuraria violação da legislação federal.
A primeira investigação vai verificar se a universidade mantém critérios raciais nos processos seletivos mesmo após a decisão da Suprema Corte, em 2023, que proibiu ações afirmativas no ensino superior norte-americano. A segunda apurará denúncias de antissemitismo no campus.
Harvard nega acusações e critica retaliação
A universidade, por meio de porta-voz, rejeitou as acusações. A instituição afirmou estar “firmemente comprometida em combater o antissemitismo” e adotou medidas para “prevenir assédio e discriminação”. O porta-voz declarou ainda que Harvard não discrimina com base em raça e que as práticas de admissão respeitam a decisão da Suprema Corte de 2023.
A instituição classificou as novas apurações como parte de um padrão de pressão da Casa Branca. “Estamos analisando as últimas ações do Departamento de Educação dos EUA, que representam as mais recentes medidas retaliatórias do governo contra Harvard pela recusa em abrir mão de nossa independência e direitos constitucionais”, disse o porta-voz.
Forças-tarefa da própria universidade divulgaram relatórios no ano anterior apontando que estudantes judeus e muçulmanos enfrentaram intolerância e episódios de abuso no campus, dado que o governo cita como fundamento das investigações.
Histórico de ações e pressão sobre universidades
As investigações anunciadas nesta segunda se somam a um conjunto de ações judiciais já em curso. Na semana passada, o governo ingressou com processo contra Harvard para recuperar bilhões de dólares em verbas federais, alegando que a instituição não protegeu adequadamente estudantes judeus. Em fevereiro, outra ação foi ajuizada sob a acusação de que Harvard descumpriu uma investigação federal ao resistir à entrega de documentos sobre o processo seletivo.
A Universidade Columbia, em Nova York, chegou a um acordo com o governo federal em troca do encerramento das investigações que a atingiam. O acerto envolveu o pagamento de mais de 200 milhões de dólares.
Defensores da educação também alertaram para riscos à privacidade, caso as universidades sejam obrigadas a fornecer ao governo volumes extensos de dados sobre admissões.
Fonte: O Antagonista



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