Porto Velho, RO - Na Geleira Taylor, nos Vales Secos de McMurdo, um filete de água vermelha contrasta com o gelo branco e parece brotar da própria geleira. Hoje se sabe que esse fenômeno revela processos físicos, químicos e biológicos que normalmente ficam ocultos sob espessas camadas de gelo.
O que são as cachoeiras de sangue na Antártida?
As cachoeiras de sangue na Antártida são fluxos de salmoura avermelhada que emergem da Geleira Taylor. Elas funcionam como um sistema de drenagem natural, conectando reservatórios subterrâneos antigos à superfície fria e seca do continente.
Esses reservatórios de água salgada permanecem isolados há milhões de anos, presos sob o gelo espesso. Ao alcançar o ar livre, a salmoura não apenas tinge o gelo, mas também fornece pistas sobre a dinâmica interna das geleiras e sobre a vida em ambientes extremos.
O mistério da geleira na Antártida que sangra há milhões de anos e que a ciência finalmente conseguiu explicar – Créditos: depositphotos.com / ArgentiqueComo se formam as cachoeiras de sangue na Antártida?
A formação está ligada ao movimento lento da Geleira Taylor sobre um sistema oculto de salmouras. O peso do gelo comprime canais subglaciais, aumentando a pressão interna até que microfraturas se abram em zonas mais frágeis.
Quando isso ocorre, a salmoura hipersalina é expulsa em pulsos, e não como um fluxo contínuo. A liberação de água reduz a pressão sob o gelo, funciona como um freio hidráulico temporário e pode alterar levemente a velocidade de avanço da geleira.
Por que a água é vermelha nas cachoeiras de sangue?
A cor vermelha não vem de sangue, mas de ferro presente na salmoura em forma de nanoesferas. Ao entrar em contato com o oxigênio do ar, esse ferro se oxida, produzindo compostos semelhantes à ferrugem.
Pesquisas microbiológicas mostram que bactérias extremófilas, adaptadas à alta salinidade e baixa luminosidade, podem modular essas reações. Para resumir os principais fatores que geram a coloração, observe:
Anatomia das Cachoeiras de Sangue
O alto teor de sal reduz o ponto de congelamento, mantendo a água líquida abaixo de 0°C.
Partículas metálicas minúsculas que oxidam (enferrujam) ao tocar o oxigênio.
Bactérias que vivem no reservatório e metabolizam sulfato e ferro para sobreviver.
O peso da geleira Taylor comprime a salmoura e a expulsa através de microfraturas.
Por que a água não congela nas cachoeiras de sangue?
A salmoura é hipersalina, com teor de sais muito superior ao da água do mar. Essa alta salinidade reduz drasticamente o ponto de congelamento, permitindo que a água permaneça líquida em temperaturas bem abaixo de 0 °C.
A origem provável é um antigo lago ou mar interno que foi concentrando sais ao longo de milhões de anos. Posteriormente, o sistema foi coberto por gelo, isolado, comprimido pela geleira e, por fim, parcialmente liberado por fraturas até a superfície.
O canal Walciley Vieira
Qual a relação das cachoeiras de sangue com o aquecimento global?
O aquecimento global modifica o balanço de massa das geleiras, alterando tanto o acúmulo de neve quanto o derretimento nas bordas. Essas mudanças podem afetar a pressão nos reservatórios subglaciais e a frequência de pulsos de salmoura.
Cientistas monitoram a região com satélites, radar, estações meteorológicas e GPS, buscando variações na velocidade do gelo e na atividade das cachoeiras.
Entender esse sistema melhora modelos de resposta das calotas polares ao clima e ajuda a estimar impactos no nível do mar e na circulação oceânica.
Fonte: O Antagonista



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