Partido de Péter Magyar projeta maioria no Parlamento do país; resultado encerra 16 anos de Orbán no poder. Viktor Orbán. Foto: Presidência da Estônia
Porto Velho, RO - O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán (foto), reconheceu neste domingo, 12, a derrota nas eleições parlamentares. Ele encerra um ciclo de 16 anos no poder.
“O resultado é claro e doloroso”, afirmou em discurso a apoiadores após o avanço da apuração.
Com mais de metade das urnas contabilizadas, o partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, projetava ampla maioria no Parlamento, com cerca de 136 cadeiras de um total de 199.
O partido de Orbán, o Fidesz, aparecia bem atrás, com pouco mais de 50 assentos, enquanto outras legendas somavam participação reduzida.
A votação registrou comparecimento elevado, com dois terços do eleitorado.
Durante a apuração, Magyar afirmou ter recebido uma ligação de Orbán com cumprimento pela vitória.
Em suas redes sociais, o opositor agradeceu o apoio dos eleitores e sinalizou mudança de rumo político.
Virada
No poder desde 2010, após um primeiro mandato entre 1998 e 2002, Orbán consolidou uma base política com forte viés nacionalista.
Durante esse período, promoveu mudanças institucionais, incluindo alterações na Constituição e medidas que afetaram o funcionamento do Judiciário e da imprensa.
O governo também adotou uma linha dura contra a imigração e manteve postura crítica em relação à União Europeia, o que gerou atritos com o bloco.
A campanha da oposição explorou temas como corrupção, inflação elevada e concentração de poder.
A economia, pressionada por índices de inflação acima da média europeia, foi um dos principais pontos de desgaste do governo.
Clã Bolsonaro
A Hungria ocupa um lugar importante na geopolítica da direita global.
Em março deste ano, Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, participou da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora).
Na ocasião, afirmou que “a comunidade internacional se une em resgatar a democracia brasileira, trabalhando para que tenhamos eleições limpas e transparentes”.
Em 2024, o próprio Jair Bolsonaro passou dois dias na embaixada húngara em Brasília após a Polícia Federal apreender seu passaporte no âmbito da investigação sobre a trama golpista — investigação que culminaria, em 2025, em sua condenação.
O episódio foi interpretado no meio político como tentativa de se proteger de uma prisão naquele momento.
Fonte: O Antagonista



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