Porto Velho, RO - Trinta anos após os massacres de Corumbiara e Eldorado dos Carajás, instituições públicas e representantes da sociedade civil se reuniram, em Porto Velho, no auditório da sede do Ministério Público do Trabalho em Rondônia, para refletir sobre a luta pela terra, os conflitos no campo e os desafios para garantir direitos no meio rural.
O encontro reuniu debates sobre memória, justiça, reforma agrária e medidas voltadas à prevenção de novas violações. Participaram do evento o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Raphael Bevilaqua, o procurador-chefe do MPT na 14ª Região Lucas Barbosa Brum e o presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Machadinho d’Oeste, Helbert Augusto.
O procurador-chefe do MPT, Lucas Barbosa Brum, destacou que o principal objetivo do encontro foi, além de recordar os massacres, reafirmar a importância da promoção dos direitos humanos no campo. “Não se trata apenas de lembrar tragédias como Corumbiara e Eldorado dos Carajás, mas de reforçar a necessidade de avançar na garantia de direitos. A reforma agrária e a distribuição de terras são fundamentais, e a valorização do ser humano trabalhador deve estar no centro das políticas públicas”, afirmou.
Segundo ele, o debate sobre a luta pela terra está diretamente ligado à dignidade humana. “O ser humano não é mercadoria. Ele é um fim em si mesmo e deve ser protegido como o maior bem do Estado. O capital não pode suprimir essa condição”, completou.
O procurador do MPF, Raphael Bevilaqua, ressaltou a importância do direito à memória e à verdade como instrumentos para fortalecer a luta por justiça social no campo. “Relembrar esses episódios é essencial para compreender que a luta pela reforma agrária ainda está longe de ser superada. Foram massacres extremamente cruéis, perpetrados por agentes do Estado, que evidenciam a necessidade de avançar na garantia de direitos”, destacou.
Bevilaqua também apontou avanços, como a destinação da fazenda Santa Elina, em Corumbiara, para fins de reforma agrária. “Esse tipo de medida contribui para reduzir conflitos e garantir direitos como trabalho, moradia e alimentação, tanto para quem vive no campo quanto para a população urbana”, afirmou.
O presidente da Associação dos Pequenos Produtores de Machadinho d’Oeste, Helbert Augusto, destacou que os conflitos fundiários ainda impõem limitações às comunidades rurais. “Não dá mais para as pessoas ficarem restritas a determinados espaços. Muitas vivem em áreas onde não podem permanecer, devido a proibições impostas por grandes proprietários”, afirmou.
Texto: Bosco Gouveia/Edição: Marcela Bonfim/Fonte: MPT/RO e AC



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