A pouco mais de 100 quilômetros de Porto Velho, no município de Itapuã do Oeste, a tela do CINEMAZÔNIA abriu espaço para muito mais do que exibições de filmes. Durante a passagem da 19ª edição do Festival de Cinema Ambiental pela Escola Estadual Paulo Freire, estudantes tiveram a oportunidade de conhecer produções realizadas em Rondônia, refletir sobre temas sociais e ambientais e descobrir que o audiovisual também pode ser um caminho possível para o futuro.
Ao longo da programação, o festival exibiu produções que dialogam com diferentes realidades amazônicas. Pela manhã, os estudantes acompanharam os filmes E Assim Aprendi a Voar, dirigido por Antonio Fargoni; Guerra Intestina, de Adailtom Alves; Há Sinais, dirigido por Édier William; e Kika Não Foi Convidada, de Juraci Júnior. À tarde, a programação trouxe Através da Sacada; Beira, com participação da atriz Kaline Leigue; A Ascensão da Cigarra; e A Lasca, dirigido por Valdete Sousa.
Cinema que conversa com a escola
Para a diretora da Escola Estadual Paulo Freire, Sandra Nogueira, iniciativas como o CINEMAZÔNIA fortalecem a aprendizagem ao apresentar conteúdos de forma criativa e próxima da realidade dos estudantes. Segundo ela, a escola já vinha desenvolvendo projetos relacionados ao audiovisual e a chegada do festival reforçou esse trabalho. “A Amazônia precisa ter um olhar diferenciado. Muitas vezes os nossos alunos não têm acesso às informações de uma forma criativa. O cinema facilita, proporciona que eles aprendam de forma mais significativa”, afirmou.
Sandra destacou ainda que experiências anteriores envolvendo produção audiovisual despertaram o interesse dos estudantes e mostraram que o cinema também pode ser uma possibilidade profissional. “Os alunos perceberam que conseguem produzir. E por que não investir futuramente nisso? Eles passam a ter um olhar diferenciado para a cultura e para as possibilidades que ela oferece.”
A avaliação é compartilhada pela equipe pedagógica da escola. Para os educadores, a presença do festival ajuda a conectar os conteúdos trabalhados em sala de aula com experiências concretas, aproximando os estudantes da produção cultural amazônica. “Os nossos alunos já haviam trabalhado em projetos relacionados ao cinema. Receber o CINEMAZÔNIA é reforçar a importância do audiovisual e permitir que eles conheçam produções feitas aqui na nossa região, que muitas vezes não chegam ao grande público”, destacou Mateus Costa, professor da escola.
Quando a tela amplia horizontes
Entre os estudantes, a experiência também despertou reflexões sobre acesso à cultura e representatividade.
A estudante Rayane de Oliveira, de 15 anos, contou que gosta mais da leitura do que do cinema, mas reconheceu a importância da iniciativa para quem raramente tem acesso a esse tipo de programação. “É importante porque algumas pessoas não têm a oportunidade de ir ao cinema. Trazer isso para a escola é muito significativo. Muitas histórias dos livros também aparecem nos filmes e isso ajuda no aprendizado.”
Já Carlos Rodrigo da Silva Pereira, de 14 anos, encontrou em Há Sinais o filme que mais o marcou durante a programação.
A produção aborda questões relacionadas à acessibilidade e à inclusão, tema que chamou sua atenção pela forma como o cinema pode ampliar o debate sobre direitos e participação social. “A acessibilidade é algo incrível. Muitas vezes a arte acaba sendo limitada para algumas pessoas. O filme mostra uma realidade importante e faz a gente pensar sobre isso.”
Para o estudante, o projeto também revela talentos que muitas vezes permanecem invisíveis.“Tem pessoas que têm dom para atuar, dirigir, produzir. Um projeto como esse pode mostrar oportunidades que talvez elas nunca imaginassem.”
A 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC), por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL), do Estado de Rondônia.
Apoio:
Cinemateca Brasileira; Sociedade Amigos da Cinemateca;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
LUCA – Laboratório Universitário de Cinema e Audiovisual;
Programa de Pós-Graduação em Comunicação;
Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).
Realização: Acapulco Filmes.


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