
Porto Velho - RO. Nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia, as exportações do agronegócio brasileiro para o bloco europeu somaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026. O montante representa um crescimento de 14,8% em valor na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O volume embarcado alcançou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais, número 8,1% superior às 16,42 milhões de toneladas registradas um ano antes.
O desempenho foi puxado por diferentes segmentos da pauta agrícola. O complexo soja permaneceu como a principal categoria de exportação, registrando US$ 4,19 bilhões, avanço de 34,2% em receita e de 20,5% em volume frente aos US$ 3,12 bilhões apurados entre maio e setembro de 2025. As exportações de carnes apresentaram alta de 103,5% em valor e de 170% em volume, subindo de 101 mil para 272 mil toneladas. Também apresentaram expansão em valor os produtos apícolas, com alta de 367%, os produtos oleaginosos exceto soja (161%), produtos florestais (23%), frutas (15%) e demais produtos de origem animal (55,5%).
Entre os produtos específicos, o abacate registrou a maior variação percentual em valor, passando de US$ 3,81 milhões para US$ 19,87 milhões, crescimento de 421,2%, acompanhado por um aumento de 433,7% no volume. O óleo de milho bruto avançou 266,3% em valor e 205,8% em volume. No setor de cafés, o café torrado cresceu 91,6% em valor e 116,5% em volume, enquanto o solúvel aumentou 19% em valor e 38,2% em volume. Houve também ampliação nos embarques de manga, com alta de 31,2% em valor, e de maçã, com avanço de 28,8%.
O período coincidiu com o início das reduções tarifárias previstas no acordo comercial, em vigor desde 1º de maio de 2026. Itens como café torrado, café solúvel e abacate tiveram cortes tarifários iniciais, com previsão de eliminação gradual até 2030. Condições de acesso e cotas também foram acordadas para carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo. Pelos termos negociados, a União Europeia prevê a liberalização tarifária total ou parcial de aproximadamente 99% das exportações agrícolas brasileiras destinadas ao bloco.
No mesmo intervalo de maio a setembro de 2026, as importações brasileiras de produtos agropecuários vindos da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão, alta de 3,3% sobre os US$ 1,62 bilhão apurados no mesmo período de 2025. O volume importado cresceu 6,8%, atingindo 617,9 mil toneladas. Com isso, o superávit comercial do agronegócio brasileiro com os países europeus passou de US$ 9,01 bilhões para US$ 10,54 bilhões, registrando aumento de 17%.
O fluxo comercial para o mercado europeu inclui exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade, como o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Em âmbito nacional, a Plataforma Agro Brasil + Sustentável passou a fornecer em 2026 o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (RASOE), instituído pela Resolução CEC nº 17 da Camex para certificar a regularidade das propriedades rurais.
Assinado em 17 de janeiro de 2026, o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia abrange um mercado conjunto de cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto superior a US$ 22 trilhões. As diretrizes comerciais estão sendo implementadas por meio do Acordo Provisório de Comércio (ITA), enquanto a vigência definitiva do tratado aguarda a conclusão dos processos de ratificação nos blocos.
Fonte: NA MIRA DO POVO, com informações da Agência Gov


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