Modernização, iniciada em 2019, buscou uso quase contínuo do espaço, com jogos, shows, feiras, eventos corporativos e atrações tecnológicas. Santiago Bernabéu, estádio Real Madrid. Créditos: depositphotos.com / victorttcd
Porto Velho, RO - O estádio Santiago Bernabéu, casa do Real Madrid, tornou-se um exemplo de como grandes arenas esportivas podem enfrentar desafios legais ao ampliar atividades para além do futebol.
A reforma que transformou o estádio do Real Madrid em espaço multifuncional gerou novas fontes de receita, mas também conflitos com moradores de Chamartín, em Madri, que relatam incômodo constante com o barulho de shows e eventos, abrindo um debate sobre poluição sonora, direitos da vizinhança e limites da exploração comercial em área residencial.
O papel do novo Santiago Bernabéu na estratégia do Real Madrid
O Santiago Bernabéu passou a ser tratado como um ativo econômico central, não apenas como estádio de futebol.
A modernização, iniciada em 2019, buscou uso quase contínuo do espaço, com jogos, shows, feiras, eventos corporativos e atrações tecnológicas, em um investimento superior a 1,7 bilhão de dólares.
Com essa mudança, a gestão priorizou uma agenda intensa de eventos para diversificar receitas e amortizar empréstimos.
Porém, o aumento da frequência de grandes espetáculos elevou significativamente os níveis de ruído no entorno, gerando atritos com moradores e pressão política sobre o modelo de arena multifuncional.
Por que o Santiago Bernabéu enfrenta acusações de poluição sonora
As queixas ganharam força com o grupo “Vizinhos Afetados pelo Bernabéu”, que relata incômodo recorrente com o som de shows e a movimentação noturna.
Moradores apontam que, em pelo menos 18 eventos de 2024, houve ultrapassagem dos limites de decibéis previstos em normas municipais para áreas residenciais.
Relatórios técnicos registraram picos sonoros acima dos padrões, o que levou a prefeitura de Madri a impor multas que somam cerca de 2,6 milhões em sanções administrativas.
A partir dessas evidências, o debate deixou de ser apenas regulatório e passou também ao campo penal, ampliando a relevância do caso.
Como o processo judicial afeta a gestão do Santiago Bernabéu
Em janeiro de 2026, uma juíza espanhola autorizou a abertura de investigação penal contra a Real Madrid Estadio, empresa que administra o estádio.
A apuração busca verificar possível crime ambiental ligado à poluição sonora, sem significar ainda uma condenação do clube ou de seus gestores.
Enquanto o Ministério Público analisa se apresentará denúncia formal, o Real Madrid suspendeu shows de grande porte e encomendou estudos técnicos de isolamento acústico.
Essas medidas pretendem demonstrar cooperação com as autoridades e, ao mesmo tempo, preservar a viabilidade do projeto de arena de entretenimento.
Quais são os principais pontos de conflito urbano e social no entorno
Além do barulho, moradores e autoridades passaram a questionar outros impactos urbanos associados ao novo uso do estádio. O aumento do fluxo de trânsito, a concentração de público em dias seguidos de eventos e as obras de infraestrutura no entorno alimentam a percepção de sobrecarga no bairro.
Essas preocupações se refletem em ações judiciais e em debates sobre planejamento urbano, buscando equilibrar desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
O caso tornou-se um laboratório para discutir como grandes arenas devem operar em áreas densamente habitadas.
Como grandes arenas devem operar em áreas densamente habitadas
Impactos urbanos, sociais e estruturais que exigem planejamento estratégico, governança e integração com a cidade.
Que impacto o caso pode ter em outros estádios
O desfecho do processo e das negociações regulatórias tende a servir de referência para projetos de remodelação de estádios em grandes cidades.
Empreendimentos semelhantes observarão de perto os limites de horários, número de eventos e exigências de isolamento acústico adotados em Madri.
Nesse contexto, o Santiago Bernabéu funciona como modelo e alerta para clubes e gestores públicos.
A conciliação entre arena multifuncional, rentabilidade financeira e convivência com a vizinhança poderá influenciar futuras licenças, normas urbanísticas e padrões de sustentabilidade sonora em arenas ao redor do mundo.
Fonte: O Antagonista



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