Chanceler Abbas Araghchi confirma que mensagens dos EUA estão sendo analisadas por Teerã; porta-voz militar nega trégua. Abbas Araghchi
Porto Velho, RO - O governo iraniano enviou sinais contraditórios nesta quarta-feira, 25, sobre a possibilidade de um entendimento com Washington para encerrar a guerra. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que uma proposta americana está sendo analisada pelas autoridades do país, contradizendo a posição oficial divulgada horas antes pela televisão estatal, que havia declarado a rejeição do plano.
Araghchi reconheceu, pela primeira vez, que os Estados Unidos enviaram mensagens ao regime por meio de intermediários — o que confere substância às declarações do presidente Donald Trump sobre o envio de uma proposta formal. Até então, Teerã negava qualquer contato desse tipo.
Mensagens sem negociação
O ministro foi enfático ao separar o recebimento de mensagens da abertura de um diálogo formal. “Trocas de mensagens através de mediadores não significam negociações com os EUA”, declarou à televisão estatal iraniana. Araghchi afirmou que o regime não tem intenção de estabelecer conversas diretas com Washington.
Segundo o chanceler, Washington tem recorrido a diferentes países para fazer chegar suas demandas a Teerã. Um dos canais utilizados seria o Paquistão, pelo qual os EUA teriam transmitido uma proposta com 15 pontos — cujo conteúdo não foi tornado público por nenhuma das partes envolvidas.
Mais cedo, o porta-voz militar Ebrahim Zolfaqari havia adotado tom mais duro. Ele disse que Trump “estava negociando consigo mesmo” e descartou qualquer perspectiva de cessar-fogo no curto prazo.
Condições iranianas
Araghchi listou exigências que Teerã colocaria como condição para qualquer acordo. Entre elas estão indenizações pelos danos provocados pelos ataques de Estados Unidos e Israel, além de garantias de que um eventual cessar-fogo não seria rompido.
Seis fontes ligadas à diplomacia iraniana ouvidas pela agência Reuters indicaram que o regime também exige a extensão de qualquer acordo ao Líbano, onde Israel mantém operações militares e enfrenta o lançamento de foguetes pelo Hezbollah, apoiado por Teerã.
Uma autoridade política iraniana citada pela emissora Press TV acrescentou que o país reivindica o reconhecimento de sua soberania sobre o estreito de Hormuz, via marítima de importância para o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico.
O chanceler também voltou a criticar a presença militar americana na região, afirmando que os EUA não foram capazes de proteger os países vizinhos onde mantêm bases. Após os ataques, o Irã mirou territórios de Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque — nações do Golfo com bases americanas em seu solo.
Fonte: O Antagonista



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