Segundo NYT, clérigos se reúnem para escolher o sucessor do aiatolá morto em ataque; Guarda Revolucionária tem seu preferido. O aiatolá Ali Khamenei foi morto em ataque dos EUA e de Israel; seu filho desponta como sucessor
Porto Velho, RO - Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, morto em ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e Israel, surgiu como o nome mais cotado – mas ainda não definido – para assumir a liderança suprema do Irã.
A informação foi relatada por três autoridades iranianas a par das deliberações internas, que falaram sob condição de anonimato ao The New York Times.
O grupo de clérigos responsável pela escolha, conhecido como Assembleia dos Especialistas, realizou duas reuniões virtuais na terça-feira – uma pela manhã e outra à noite.
O formato remoto ocorreu depois que Israel atacou um edifício em Qum, uma das principais sedes do islamismo xiita, onde a assembleia estava programada para se reunir presencialmente. O local estava vazio no momento do ataque, segundo a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária.
Guarda Revolucionária apoia candidatura do filho
Segundo as mesmas fontes, a Guarda Revolucionária pressionou pela escolha de Mojtaba, argumentando que ele tem as qualificações necessárias para conduzir o país em um momento de instabilidade. Analistas avaliam que a eventual escolha do filho sinalizaria o fortalecimento da ala mais conservadora dentro do regime.
“Ele estava cotado para se tornar o sucessor há muito tempo, mas nos últimos dois anos parecia ter saído do radar. Se for eleito, isso sugere que o lado mais linha-dura da Guarda Revolucionária está no comando”, afirmou Vali Nasr, especialista em Irã e islamismo xiita da Universidade Johns Hopkins.
Mojtaba Khamenei tem 56 anos e é conhecido por sua proximidade com as forças militares e de segurança do país, embora atue de forma reservada.
O analista Mehdi Rahmati, de Teerã, disse que ele seria uma escolha pragmática para o momento: “Mojtaba é a escolha mais acertada agora porque conhece com profundidade o funcionamento dos aparatos de segurança e militares. Ele já coordenava essas atividades”.
Os clérigos chegaram a considerar anunciar o nome de Mojtaba já na manhã de quarta-feira, mas parte deles demonstrou hesitação. O temor era que a divulgação pública do sucessor o tornasse alvo de novos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Outros nomes e divisão interna
Outros dois nomes aparecem como finalistas no processo de seleção.
Alireza Arafi, clérigo e jurista que integra o conselho de transição formado após a morte de Khamenei, é um deles. O outro é Seyed Hassan Khomeini, neto de Ruhollah Khomeini, o fundador da República Islâmica.
Ambos são descritos como moderados. Khomeini, em particular, mantém vínculos com a corrente reformista iraniana, hoje marginalizada politicamente. A escolha entre esses nomes e Mojtaba reflete uma divisão interna sobre os rumos do país.
Rahmati avalia que a nomeação do filho de Khamenei não será recebida de forma uniforme pela população. “Uma parcela do público vai reagir de forma negativa e contundente a essa decisão, e haverá repercussões”, afirmou.
Para os apoiadores do regime, ele representa a continuidade de um líder que consideram mártir. Para os opositores, a permanência de um sistema que, nos últimos meses, matou ao menos sete mil manifestantes, segundo organizações de direitos humanos.
Fonte: O Antagonista



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