A descoberta de novos recursos ocorre em um contexto de forte demanda por metais ligados à transição energética e às tecnologias digitais. Mina pode redefinir a transição verde ou virar o maior choque ambiental dos Andes - Créditos: depositphotos.com / sunsinger
Porto Velho, RO - Em meio à corrida global por metais estratégicos, o projeto Filo del Sol, na fronteira entre Argentina e Chile, ganhou destaque como um dos maiores depósitos de cobre, ouro e prata em desenvolvimento.
A descoberta de novos recursos ocorre em um contexto de forte demanda por metais ligados à transição energética e às tecnologias digitais, ao mesmo tempo em que cresce a preocupação com impactos em geleiras e fontes de água doce.
O que é o projeto de cobre Filo del Sol
Filo del Sol é um grande depósito de cobre com teores relevantes de ouro e prata, localizado na cordilheira dos Andes, no noroeste da Argentina, próximo ao Chile. A jazida situa-se em uma faixa metalogenética associada ao cinturão de fogo do Pacífico, conhecida por grandes minas de cobre.
O projeto é controlado por empresas internacionais que realizam sondagens há anos para definir extensão e qualidade do recurso.
Campanhas do Lundin Mining aprofundaram a perfuração e indicam milhões de toneladas de cobre, além de ouro e prata, colocando Filo del Sol entre os principais projetos não desenvolvidos do mundo.
Mina pode redefinir a transição verde ou virar o maior choque ambiental dos Andes – Créditos: depositphotos.com / VladimirNenezicPor que o depósito de cobre Filo del Sol é estratégico
O cobre é essencial para redes elétricas, veículos elétricos, telecomunicações e energias renováveis. Filo del Sol se destaca por combinar um grande depósito de cobre com metais preciosos, o que melhora a atratividade econômica e diversifica as fontes de receita ao longo da vida útil da mina.
A produção global de cobre precisa crescer fortemente até 2035 para sustentar a transição energética. Nesse cenário, grandes depósitos andinos, com potencial de lavra a céu aberto e alto volume de minério, tornam-se estratégicos para empresas, governos e mercados financeiros.
Quais são os desafios de minerar na alta cordilheira
O depósito está a cerca de 5.000 metros de altitude, com baixa pressão de oxigênio, frio intenso e forte amplitude térmica. Essas condições exigem aclimatação, protocolos de saúde ocupacional e infraestrutura especializada para equipes e equipamentos.
Os desafios logísticos incluem construção e manutenção de estradas, transporte de insumos e operação contínua sob neve e risco de bloqueios. Além disso, é necessário planejar usinas, energia, água e disposição de rejeitos em terreno montanhoso, garantindo segurança e estabilidade.
Como o uso de água e as geleiras entram na discussão
A mineração de cobre em larga escala consome grandes volumes de água para britagem, moagem, flotação e controle de poeira. Em regiões áridas dos Andes, isso pode competir com o abastecimento de comunidades e agricultura, tornando o tema central em licenças ambientais.
Na Argentina, a Lei de Glaciares protege geleiras e ambientes periglaciais, considerados reservas estratégicas de água doce.
Organizações ambientais alertam para possíveis impactos cumulativos sobre rios e aquíferos alimentados pelo derretimento sazonal, cobrando transparência em estudos e monitoramento hídrico.
Quais medidas podem reduzir o impacto ambiental
Para mitigar impactos, empresas e governos discutem soluções que conciliem mineração e proteção de ecossistemas de montanha. Entre as principais medidas propostas e adotadas em projetos andinos estão:
- Uso crescente de energia renovável, reduzindo diesel e emissões em alta altitude.
- Sistemas de recirculação de água, reúso industrial e, quando viável, água dessalinizada.
- Tecnologias de disposição de rejeitos mais seguras e de menor pegada hídrica.
- Planos de monitoramento contínuo de geleiras, aquíferos e qualidade da água.
Fonte: O Antagonista



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