Ex-integrante da Rote Armee Fraktion, ou grupo Baader-Meinhof, vivia sob identidade falsa em Berlim há três décadas. Daniela Klette, do grupo terrorista Baader-Meinhof
Porto Velho, RO - Uma veterana da Rote Armee Fraktion (RAF), organização terrorista alemã de extrema esquerda, popularmente conhecida como grupo Baader-Meinhof, foi sentenciada nesta quarta-feira, 27, a 13 anos de reclusão pelo Tribunal Regional de Verden, no norte da Alemanha.
Daniela Klette, de 67 anos, foi julgada por ataques a carros-fortes e estabelecimentos comerciais praticados entre 1999 e 2016 ao lado de dois cúmplices que permanecem em liberdade. A condenação encerra um ciclo de três décadas de fuga e vida clandestina para a ex-militante.
Assaltos para sobreviver na clandestinidade
Segundo o DW, o tribunal considerou provado que Klette atuou em conjunto com Burkhard Garweg e Ernst-Volker Staub — também ex-membros da RAF, ainda foragidos — em 13 ações criminosas contra alvos em cidades da Baixa Saxônia e da Renânia do Norte-Vestfália.
Segundo informações do Tribunal Regional de Verden, os três roubaram mais de 2,7 milhões de euros para custear a própria subsistência na ilegalidade, sem qualquer vínculo com fins políticos ou terroristas.
A ré foi responsabilizada por roubo qualificado, tentativa de roubo qualificado, sequestro com extorsão e infrações à legislação sobre armas.
A acusação havia pedido 15 anos de prisão e tentou incluir o crime de tentativa de homicídio em relação a um assalto a carro-forte em Stuhr, em 6 de junho de 2015, quando disparos colocaram o motorista em risco.
O tribunal, no entanto, classificou o episódio como tentativa de roubo qualificado, reduzindo a pena.
Capoeira e identidade falsa em Berlim
Presa em fevereiro de 2024, Klette havia passado 30 anos escondida no bairro berlinense de Kreuzberg, frequentando a comunidade brasileira local e participando de rodas de capoeira. De acordo com a imprensa alemã, ela chegou a viajar ao Brasil com documentos falsificados e divulgou registros da viagem em redes sociais.
A RAF promoveu atentados, sequestros e assassinatos na Alemanha Ocidental durante a década de 1970 sob a bandeira do anticapitalismo e do anti-imperialismo, antes de anunciar sua dissolução em 1998. Klette integrava a chamada terceira geração da organização, também conhecida pelo nome Grupo Baader-Meinhof.
A defesa sustentou durante o julgamento que não havia provas do envolvimento da ré nos assaltos e que o único ilícito demonstrado seria a posse irregular de armas encontradas em seu apartamento. O advogado Lukas Theune chegou a pedir a revogação do mandado de prisão e uma pena suspensa. O argumento não foi aceito pelo tribunal.
Apoiadores presentes à sala de audiências protestaram contra o veredito com gritos de “liberdade para Daniela!”.
Klette ainda responde a processos separados por supostos crimes praticados entre 1990 e 1993 durante sua atuação na RAF.
Fonte: O Antagonista


0 Comentários