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Na Mira do Povo

Quem não tem filhos pagará mais imposto na Alemanha?

Proposta do Ministério da Saúde prevê aumento de 0,1 ponto percentual na alíquota paga por contribuintes sem descendentes. Antes reproduzir que remediar?

Porto Velho, RO - O governo alemão analisa uma nova cobrança diferenciada sobre cidadãos sem filhos como forma de compensar a deterioração financeira do sistema de seguro de cuidados de longa duração, benefício destinado a idosos, doentes crônicos e pessoas com deficiência que necessitam de assistência permanente.

Segundo o site DW, um documento interno do Ministério da Saúdetornado público nesta terça-feira, 26, aponta para um rombo de 22,5 bilhões de euros até o fim de 2028, o equivalente a quase R$ 132 bilhões, impulsionado pelo envelhecimento acelerado da população.

Como funciona a contribuição

Atualmente, todos os trabalhadores cobertos pelo seguro de saúde público — cerca de 90% dos alemães — recolhem uma parcela da renda para o fundo de cuidados. Quem tem filhos paga entre 3,1% e 3,6%, conforme o número de dependentes.

Quem não tem filhos já arca com 4,2%, composto por uma taxa-base de 3,6% acrescida de um adicional de 0,6%, vigente a partir dos 23 anos. A proposta em discussão elevaria essa alíquota diferenciada para 4,3%.

O envelhecimento da população explica a pressão sobre o caixa: um em cada cinco alemães tem 67 anos ou mais, proporção que deve crescer à medida que a geração nascida até o fim dos anos 1960 — mais numerosa do que as seguintes — avança para a aposentadoria.

Divergências no Parlamento

A proposta encontra apoio parcial na coalizão governista. O Partido Social-Democrata (SPD) e a União Social Cristã (CSU) sinalizaram abertura à medida. Para o especialista em saúde do SPD, Christos Pantazis, é legítimo “discutir diferentes mecanismos — inclusive a questão de uma contribuição maior para pessoas sem filhos”, mas ele ponderou que tal medida “pode contribuir para a estabilização, mas não substitui uma reforma estrutural abrangente”.

Partidos de oposição reagiram com ceticismo. A deputada dos Verdes, Simone Fischer, criticou o que chamou de “propostas isoladas imaturas” em detrimento de um “conceito geral viável”.

Já a especialista do partido A Esquerda, Evelyn Schötz, classificou a iniciativa como “uma medida cosmética, que não resolve nem de longe o problema do seguro de cuidados”, e defendeu a incorporação de segurados privados ao sistema público.

Fonte: O Antagonista

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