Porto Velho, RO - Cinco editoras de grande porte e o escritor Scott Turow ingressaram com uma ação coletiva por violação de direitos autorais contra a Meta Platforms e seu fundador e CEO, Mark Zuckerberg.
O processo, apresentado no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, acusa a empresa de ter utilizado obras protegidas, obtidas sem licença, para desenvolver o Llama, seu programa de inteligência artificial. Segundo a queixa, Zuckerberg teria autorizado pessoalmente as práticas descritas.
O que diz a acusação
As editoras Hachette, Macmillan, McGraw Hill, Elsevier e Cengage, ao lado de Turow, afirmam que engenheiros da Meta baixaram cópias não autorizadas de livros e artigos acadêmicos por meio de plataformas de pirataria, entre elas o Anna’s Archive — mecanismo de busca que indexa sites como LibGen e Sci-Hub.
A ação também acusa a companhia de remover avisos de copyright e outras informações de gestão de direitos das obras copiadas.
Entre os autores cujos trabalhos teriam sido utilizados no treinamento do Llama estão V.E. Schwab, N.K. Jemisin e Lemony Snicket.
Parte das evidências citadas na peça judicial veio do próprio sistema: ao ser solicitado a resumir o romance Presumed Innocent, de Turow, o Llama afirmou ter sido “treinado com uma versão digital do livro”, o que lhe permitia “acessar e analisar seu conteúdo”.
Em declaração enviada ao The New York Times, Turow classificou a conduta da Meta como “descarada, prejudicial e injusta”: “Considero angustiante e revoltante que uma das dez empresas mais ricas do mundo tenha usado conscientemente cópias pirateadas dos meus livros, e de milhares de outros autores, para treinar o Llama, que pode e já produziu material concorrente, incluindo obras supostamente no meu estilo”.
Impacto no mercado editorial
Os autores da ação argumentam que o risco vai além da infração em si. O programa de IA da Meta seria capaz de produzir livros em escala e resumir obras com tal nível de detalhe — abrangendo enredo, personagens e escolhas criativas — que os leitores poderiam prescindir da obra original.
“Esses livros gerados por IA já estão inundando o maior mercado de livros do mundo, a Amazon, em volumes que substituem significativamente obras escritas por humanos”, afirma o documento.
Como medidas, os demandantes pedem a destruição de todas as cópias obtidas de forma ilícita e a suspensão das atividades classificadas como infrações. Maria A. Pallante, presidente da Association of American Publishers, declarou que o setor busca “um cenário de IA muito mais sustentável — algo transparente, justo, participativo e com salvaguardas contra danos a autores e editoras”.
Fonte: O Antagonista



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