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Na Mira do Povo

TCE-RO determina novas medidas na coleta de lixo em Porto Velho e cobra apuração de falhas do Consórcio ECO PVH

Tribunal considera parcialmente cumpridas determinações sobre contrato emergencial e exige informações sobre processo que pode responsabilizar empresa por falhas na coleta de resíduos.

O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) determinou que a Prefeitura de Porto Velho apresente, em até 15 dias, informações sobre o andamento do Processo Administrativo para Apuração de Infrações Contratuais e Aplicação de Penalidades (PAAP) instaurado contra o Consórcio ECO PVH, responsável pelo contrato emergencial de coleta de lixo da capital.

A decisão foi proferida pelo conselheiro Paulo Curi Neto, durante o acompanhamento da execução do Contrato nº 028/PGM/2025, firmado após dispensa emergencial para garantir a continuidade dos serviços de coleta, transporte e destinação final dos resíduos sólidos urbanos.
 
TCE reconhece continuidade do serviço, mas aponta falhas

Segundo a decisão, o contrato emergencial conseguiu evitar a interrupção da coleta de lixo em Porto Velho. Entretanto, as auditorias identificaram diversas falhas operacionais durante sua execução.

Entre os principais problemas apontados estão:
  • atrasos e interrupções na coleta domiciliar;
  • falhas no transporte e tratamento de resíduos de serviços de saúde;
  • problemas na fiscalização contratual;
  • irregularidades na documentação técnica;
  • elevado número de reclamações da população.
De acordo com os relatórios analisados pelo Tribunal, foram registradas cerca de 4.398 ocorrências operacionais, incluindo aproximadamente 1.900 reclamações somente em janeiro de 2026.
 
Empresa tentou permanecer no contrato

Durante o processo, o Consórcio ECO PVH apresentou defesa alegando que grande parte das falhas havia sido corrigida e pediu ao TCE que impedisse sua substituição por outra empresa.

Entre os pedidos, a empresa solicitava:
  • manutenção do contrato por mais 180 dias;
  • suspensão da substituição da prestadora;
  • revisão da decisão da Prefeitura que encerrou o contrato.
No entanto, o próprio consórcio desistiu posteriormente do pedido de tutela de urgência.

Com isso, o Tribunal considerou que os demais pedidos perderam o objeto, já que o contrato chegou ao fim e um novo ajuste emergencial foi firmado.
 
Nova empresa assume serviços

A Prefeitura contratou emergencialmente a empresa SISTEMMA Assessoria e Construções S.A., por meio do Contrato nº 029/PGM/2026, para dar continuidade aos serviços de limpeza urbana.

Agora, o TCE determinou que a administração municipal comprove que a nova contratação atende integralmente às exigências já estabelecidas anteriormente.

Entre elas estão:
  • designação formal de gestores e fiscais do contrato;
  • monitoramento da frota em tempo real;
  • apresentação da ART de execução da obra;
  • manutenção das licenças ambientais;
  • garantia contratual válida;
  • aprovação formal do Plano de Trabalho Operacional;
  • fiscalização permanente da coleta, do aterro sanitário e da unidade de tratamento de resíduos de saúde.
Processo administrativo continua

Outro ponto destacado pela decisão é que a Prefeitura deverá informar ao Tribunal o andamento do processo administrativo que poderá resultar na aplicação de sanções ao Consórcio ECO PVH, conforme prevê a Lei nº 14.133/2021, caso sejam confirmadas as irregularidades identificadas durante a execução do contrato.

Segundo o TCE, as apurações envolvem possíveis inconformidades operacionais, contratuais, sanitárias e ambientais.
 
Determinações foram apenas parcialmente cumpridas

O Tribunal concluiu que boa parte das determinações expedidas anteriormente foi cumprida pela Prefeitura durante a transição entre os contratos.

Contudo, permanecem pendências importantes, especialmente relacionadas à:
  • emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de execução;
  • aprovação formal do Plano de Trabalho Operacional.
Por isso, o TCE reiterou as determinações para que sejam plenamente implementadas na execução do novo contrato emergencial.
 
Controle continuará

A decisão também determina que a Controladoria-Geral do Município continue acompanhando toda a execução do novo contrato e que a Secretaria-Geral de Controle Externo do TCE mantenha a fiscalização sobre os serviços.

Caso a Prefeitura deixe de comprovar o cumprimento das determinações, poderá ser instaurado procedimento específico para verificar eventual descumprimento das decisões do Tribunal.
 
Principais determinações do TCE-RO
  • Prefeitura deve informar, em 15 dias, o andamento do processo administrativo contra o Consórcio ECO PVH;
  • Nova contratação com a empresa SISTEMMA deverá comprovar todas as exigências técnicas e legais;
  • Permanecem pendentes a ART de execução e a aprovação formal do Plano de Trabalho Operacional;
  • O TCE continuará monitorando a execução dos serviços de coleta de lixo em Porto Velho;
  • A Controladoria Municipal deverá acompanhar permanentemente o cumprimento das determinações da Corte de Contas.

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