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Na Mira do Povo

TCE-RO suspende licitação milionária da Prefeitura de Cacoal por suspeitas de irregularidades

Tribunal de Contas determina paralisação de contrato de R$ 31,1 milhões para gestão da frota municipal

Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) determinou a suspensão imediata dos efeitos da homologação do Pregão Eletrônico nº 05/2026 da Prefeitura de Cacoal, cujo valor estimado ultrapassa R$ 31,1 milhões.

A decisão foi proferida pelo conselheiro-substituto Omar Pires Dias no Processo nº 01346/26/TCE-RO, após análise de denúncia apresentada pela empresa UZZIPAY Administradora de Convênios Ltda., que apontou possíveis irregularidades na habilitação da empresa vencedora do certame, a SMART Comércio e Representações Ltda.
 
Licitação envolve gestão da frota municipal

A concorrência tem como objetivo o registro de preços para futura contratação de empresa especializada na gestão integrada e informatizada da frota de veículos e maquinários do Município de Cacoal.

O contrato prevê serviços de gerenciamento de abastecimento, manutenção e controle operacional da frota pública, movimentando mais de R$ 31 milhões em recursos públicos.
 
Denúncia aponta possível favorecimento

Segundo a representação protocolada junto ao TCE-RO, a empresa SMART teria sido inicialmente inabilitada pela própria comissão de licitação por não atender exigências técnicas e econômico-financeiras.

Posteriormente, mesmo após apresentar recurso considerado intempestivo, a empresa acabou sendo habilitada e declarada vencedora do certame.

A denunciante sustenta que a Prefeitura teria utilizado o mecanismo de autotutela administrativa para rever a decisão inicial, o que pode ter violado princípios da legalidade, transparência, isonomia e julgamento objetivo previstos na nova Lei de Licitações.
 
Suspeitas sobre documentos de capacidade técnica

Outro ponto considerado grave pelo Tribunal envolve os atestados de capacidade técnica apresentados pela empresa vencedora.

A análise preliminar identificou dúvidas sobre a comprovação efetiva de serviços que teriam sido prestados anteriormente pela SMART.

Entre os questionamentos estão:
  • Ausência de notas fiscais que comprovem a execução de contratos informados;
  • Divergências em documentos emitidos por órgãos públicos e empresas privadas;
  • Possível insuficiência de documentos para comprovar experiência operacional compatível com o valor exigido no edital;
  • Questionamentos sobre a rastreabilidade dos serviços alegadamente executados.
TCE também investigará situação financeira da empresa

A Corte de Contas determinou ainda aprofundamento da análise sobre a qualificação econômico-financeira da SMART.

A representação aponta possíveis inconsistências contábeis relacionadas a:
  • Apuração de tributos;
  • Movimentações patrimoniais;
  • Valores registrados em caixa;
  • Demonstrações financeiras utilizadas para comprovar capacidade econômica.
Segundo o relator, caso essas inconsistências tenham impactado os índices financeiros exigidos pelo edital, a habilitação da empresa poderá ter sido irregular.
 
Enquadramento como microempresa também será apurado

Outro aspecto investigado envolve a participação da SMART como microempresa ou empresa de pequeno porte.

De acordo com a denúncia, os balanços contábeis indicariam receitas superiores aos limites permitidos pela Lei Complementar nº 123/2006 para enquadramento nesse regime.

Embora a administração municipal tenha informado que a empresa não utilizou benefícios exclusivos para microempresas durante a licitação, o Tribunal entendeu que a situação merece apuração detalhada.
 
Tribunal vê risco de dano ao interesse público

Ao conceder a medida cautelar, o TCE-RO concluiu que existem indícios suficientes para justificar uma investigação mais aprofundada.

A decisão destaca que a continuidade do processo poderia resultar na assinatura da ata de registro de preços, celebração do contrato e início da execução dos serviços antes da análise definitiva da legalidade do certame.

Segundo o relator, isso poderia gerar uma situação de difícil reversão caso as irregularidades fossem posteriormente confirmadas.
 
Determinações do TCE-RO

A decisão determina que a Prefeitura de Cacoal:
  • Suspenda imediatamente os efeitos da homologação do Lote 1 da licitação;
  • Não assine ata de registro de preços ou contrato com a empresa SMART;
  • Não realize pagamentos ou emita ordens de serviço relacionadas ao certame;
  • Encaminhe ao Tribunal, em até cinco dias, a íntegra do processo administrativo da licitação.
O prefeito de Cacoal, Tony Pablo de Castro Chaves, e o pregoeiro oficial, Daniel Ferreira da Silva, foram notificados para cumprir as determinações sob pena de multa.
 
Processo seguirá em investigação

O TCE-RO transformou o Procedimento Apuratório Preliminar em Representação formal e autorizou a realização de diligências complementares para aprofundar a investigação.

A empresa SMART também foi intimada para apresentar sua defesa e esclarecimentos.

A análise definitiva deverá apontar se houve ou não irregularidades na condução do processo licitatório e na habilitação da empresa vencedora.

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