TCE-RO cobra melhorias na saúde de Alto Paraíso e dá 30 dias para Prefeitura comprovar medidas
Tribunal de Contas apontou descumprimento de determinações anteriores e voltou a cobrar ações sobre medicamentos, exames, ambulâncias, profissionais e protocolos no Hospital Municipal Osvaldo Cruz
O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) considerou descumpridas determinações para melhorar os serviços de saúde de Alto Paraíso e deu um novo prazo de 30 dias para que a Prefeitura comprove a adoção das medidas exigidas.
A decisão foi tomada pelo conselheiro Jailson Viana de Almeida, no Processo nº 01235/24, que acompanha uma inspeção realizada no Hospital Municipal de Pequeno Porte Osvaldo Cruz, em Alto Paraíso.
Fiscalização encontrou problemas na unidade de saúde
A inspeção original foi realizada entre os dias 21 e 23 de maio de 2024. Na ocasião, os técnicos do TCE-RO identificaram problemas relacionados à disponibilidade de profissionais de saúde, gestão e armazenamento de medicamentos, realização de exames, manutenção de equipamentos e ausência de protocolos e normas internas.
Após as primeiras determinações, o Tribunal realizou novo monitoramento presencial entre 21 e 23 de julho de 2025.
Naquele momento, a fiscalização constatou que 85% das determinações haviam sido cumpridas. Porém, algumas medidas continuavam pendentes ou haviam sido apenas parcialmente atendidas.
Prefeitura não apresentou documentos dentro do prazo
O TCE-RO concedeu posteriormente mais 180 dias para que as medidas restantes fossem implementadas.
Entretanto, segundo a decisão, o prazo terminou sem que o prefeito João Pavan, o secretário municipal de Saúde Rodrigo da Silva Queiroz e a controladora-geral Luma Mikaelly Bobato Sousa apresentassem documentos, justificativas ou informações capazes de comprovar o cumprimento das determinações.
Com isso, a equipe técnica concluiu que permaneciam as irregularidades anteriormente identificadas.
Medicamentos e farmácia estão entre as cobranças
Entre as novas determinações está a obrigação de realizar inventários periódicos dos medicamentos, controlar os níveis de estoque e estabelecer um estoque mínimo para cada medicamento.
O Tribunal também determinou melhorias nas condições físicas da farmácia e no armazenamento dos produtos.
Outra cobrança é a criação de protocolos clínicos para orientar a prescrição, o recebimento e a dispensação de medicamentos.
TCE-RO cobra protocolos para exames
A Prefeitura também deverá implementar protocolos para organizar a solicitação e realização de diferentes exames.
A lista inclui:
- Exames laboratoriais;
- Raio X;
- Ultrassonografia;
- Eletrocardiograma.
Ambulâncias também terão que passar por controle
Outro ponto importante da decisão envolve as ambulâncias utilizadas pelo município.
O TCE-RO determinou a criação de um sistema de manutenção preventiva e corretiva, incluindo inventário das condições dos veículos, cronograma de manutenção, contratação de oficinas especializadas e registro dos serviços realizados.
Também deverão ser implementados procedimentos para monitorar as operações das ambulâncias, com sistemas de comunicação, localização em tempo real e protocolos para priorização dos chamados de emergência.
Prefeitura deverá organizar escalas e normas internas
A decisão também cobra regras para a elaboração das escalas de plantão, trocas de plantão, férias e licenças dos profissionais.
Além disso, deverão ser estabelecidas normas para disciplinar a atuação do coordenador da unidade médica (diretor técnico) e do coordenador da unidade de saúde.
Controle Interno terá que acompanhar as medidas
A Controladoria-Geral do Município também recebeu uma determinação específica.
Luma Mikaelly Bobato Sousa, ou quem estiver no cargo, terá 30 dias para comprovar ao Tribunal que está acompanhando a implementação das medidas.
A Controladoria deverá emitir certificação sobre o cumprimento de cada determinação e manter os documentos arquivados para futura fiscalização do TCE-RO.
Novo descumprimento pode gerar multa
O Tribunal de Contas fez um alerta aos responsáveis: caso as determinações continuem sendo descumpridas, poderá ser aplicada a multa prevista no artigo 55, inciso VII, da Lei Complementar Estadual nº 154/1996.
A decisão determinou ainda que, depois do término dos novos prazos, o processo seja encaminhado novamente à Secretaria-Geral de Controle Externo para prosseguimento da fiscalização.
O que a Prefeitura de Alto Paraíso terá que fazer?
Entre as principais medidas cobradas pelo TCE-RO estão:
- Melhorar a gestão e o armazenamento de medicamentos;
- Avaliar a quantidade necessária de médicos para atender à população;
- Organizar protocolos para exames laboratoriais e de imagem;
- Implantar manutenção e controle das ambulâncias;
- Criar normas para escalas e plantões;
- Estabelecer protocolos clínicos e procedimentos internos;
- Controlar estoques e definir níveis mínimos de medicamentos.
A Prefeitura de Alto Paraíso e a Secretaria Municipal de Saúde terão 30 dias, contados a partir da notificação da decisão, para apresentar ao TCE-RO documentos que comprovem a adoção das medidas.
A decisão é a DM-0158/2026-GCJVA, publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-RO em 11 de agosto de 2026.


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