Município de Vale do Paraíso é alvo de representação no TCE-RO por possíveis irregularidades em contrato de gestão de frotas

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Município de Vale do Paraíso é alvo de representação no TCE-RO por possíveis irregularidades em contrato de gestão de frotas

Foto do Município de Vale do Paraíso, em Rondônia

Porto Velho, RO - O Município de Vale do Paraíso, em Rondônia, passou a ser investigado pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) após uma Representação apresentada pelo Ministério Público de Contas (MPC-RO) que aponta possíveis irregularidades na adesão a uma Ata de Registro de Preços para contratação de serviços de gestão integrada de frotas.

A decisão consta na Decisão Monocrática nº 0003/2026, proferida pelo conselheiro Francisco Carvalho da Silva, relator plantonista do processo nº 00005/26.
 
Entenda o caso

A representação questiona a adesão do Poder Executivo de Vale do Paraíso à Ata de Registro de Preços nº 011/2025, originária do Pregão Eletrônico nº 021/2025, conduzido pelo Consórcio Integrado Multifinalitário do Vale do Jequitinhonha.

O contrato tem como objetivo a contratação de empresa especializada em gestão integrada de frotas, incluindo:
  • rastreamento veicular;
  • controle de abastecimento;
  • intermediação para compra de peças;
  • serviços de manutenção preventiva e corretiva, por meio de rede credenciada.
  • Segundo os autos, o valor da contratação chega a R$ 1,2 milhão.
Principais irregularidades apontadas

De acordo com o Ministério Público de Contas, a adesão apresenta falhas estruturais graves, que podem comprometer a legalidade e a economicidade do contrato. Entre os principais pontos destacados estão:
  • Planejamento deficiente, sem estudo técnico individualizado;
  • Descompasso regional, que inviabilizaria a comprovação de vantajosidade da adesão;
  • Falta de justificativa técnica para o agrupamento do objeto contratado;
  • Critério de julgamento inadequado, baseado em menor taxa global, dificultando a transparência dos custos;
  • Cláusulas restritivas à competitividade, como exigência indevida de prova de conceito antes da habilitação e vedação à participação de consórcios;
  • Fragilidade do modelo de rede credenciada, com exigências genéricas e validação de orçamentos pela própria empresa contratada.
Quem são os responsáveis citados

A representação aponta como responsáveis:
  • Charles Luis Pinheiro Gomes, prefeito de Vale do Paraíso;
  • Wanderley Ferreira Barbosa, secretário municipal de Obras.
Ambos poderão ser citados para apresentar defesa, caso as irregularidades avancem na instrução processual.
 
Decisão do TCE-RO

O relator plantonista admitiu a representação, reconhecendo que ela atende aos requisitos legais de admissibilidade. No entanto, a análise do pedido de tutela antecipatória foi adiada.

O MPC havia solicitado que a execução do contrato fosse limitada a 120 dias, período em que o município deveria realizar uma nova licitação. O conselheiro entendeu que a medida se confunde com o mérito do processo e que uma suspensão imediata poderia causar prejuízos à prestação de serviços essenciais, como a manutenção da frota municipal, especialmente da Secretaria de Obras.

Dessa forma, o processo foi encaminhado à unidade técnica do TCE-RO, que fará uma análise preliminar e diligências, com caráter de urgência.
 
Próximos passos

Após a manifestação técnica:
  • o pedido de tutela antecipatória será reavaliado;
  • o processo retornará ao gabinete do conselheiro José Euler Potyguara Pereira de Mello, relator original do município;
  • os interessados e o Ministério Público de Contas serão oficialmente notificados.
Resumo
  • Município de Vale do Paraíso é investigado pelo TCE-RO
  • Contrato de R$ 1,2 milhão para gestão de frotas está sob suspeita
  • Irregularidades no planejamento e na competitividade são apontadas
  • Tutela antecipatória foi adiada, aguardando análise técnica
  • Processo segue em tramitação no Tribunal de Contas
A decisão foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-RO, em 6 de janeiro de 2026.

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