Porto Velho, RO - O atleta ucraniano Vladislav Heraskevych entrou com recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, na sigla em inglês) contra a decisão que o desclassificou dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina. A exclusão aconteceu nesta quinta-feira, 12, após a Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF) barrar o uso de um capacete decorado com retratos de compatriotas mortos na guerra contra a Rússia.
O TAS informou em comunicado que o caso tramita na câmara ad hoc formada para resolver litígios olímpicos de forma ágil. A análise está marcada para esta sexta-feira, 13, com decisão prevista para o mesmo dia, segundo o tribunal esportivo.
Heraskevych, de 27 anos, atuou como porta-bandeira da Ucrânia na cerimônia de abertura e chegava como candidato a medalha após terminar em quarto lugar no Mundial de skeleton do ano passado. O equipamento vetado trazia imagens de atletas ucranianos mortos no conflito, entre eles o patinador artístico Dmytro Sharpar, morto em combate perto de Bakhmut, e o biatleta Yevhen Malyshev, de 19 anos, morto perto de Kharkiv.
Alegações de desproporcionalidade
No recurso, o atleta afirma que a exclusão é desproporcional e não se baseia em violação técnica ou de segurança. O documento destaca que a medida causa danos esportivos irreparáveis ao competidor.
De forma provisória, Heraskevych solicita reintegração imediata à competição, com permissão para realizar uma descida oficial supervisionada pelo TAS enquanto aguarda o julgamento final.
Na terça-feira (10), o Comitê Olímpico Internacional (COI) tentou negociar com o atleta. A proposta era substituir o capacete por uma braçadeira preta, mas a oferta foi recusada. O COI justifica a posição com base nas regras de neutralidade política da Carta Olímpica, que proíbe manifestações desse tipo durante eventos e cerimônias.
Zelensky se pronuncia
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky manifestou apoio à iniciativa do atleta em publicação no Telegram: “Seu capacete tem os retratos de nossos atletas mortos pela Rússia. O patinador artístico Dmytro Sharpar, caído em combate perto de Bakhmut; Yevhen Malyshev, biatleta de 19 anos, morto pelos ocupantes perto de Kharkiv; e outros atletas ucranianos cujas vidas foram ceifadas pela guerra travada pela Rússia”.
O presidente argumentou que Heraskevych “lembrou para o mundo o preço de nossa luta”. Para Zelensky, “esta verdade não pode ser considerada vergonhosa, inapropriada nem ser classificada como uma ‘manifestação política em um evento esportivo’”.
Fonte: O Antagonista



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