Em discurso ao Parlamento, ditador descarta desarmamento e altera a Constituição do país para tratar a Coreia do Sul como inimigo permanente. Kim Jong-un
Porto Velho, RO - O ditador Kim Jong-un declarou nesta terça-feira, 24, que o programa de armas nucleares da Coreia do Norte tem caráter definitivo, e rejeitou qualquer troca de arsenal por garantias de segurança. O anúncio foi feito durante sessão da Assembleia Popular Suprema, órgão legislativo subserviente ao Partido Comunista.
“A dignidade da nação, seus interesses nacionais e sua vitória final só podem ser garantidos pela potência mais forte”, afirmou Kim, e Pyongyang “continuará a consolidar nosso status absolutamente irreversível como potência nuclear”, segundo veículos de imprensa estatais do regime.
O orçamento aprovado pelos parlamentares no mesmo dia eleva os gastos militares para 15,8% do total das despesas do Estado em 2026.
Irã como argumento
Kim usou a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã como exemplo de que a força militar se sobrepõe às normas do direito internacional. Para o ditador, o contexto geopolítico atual “ensina claramente qual é a verdadeira garantia da existência e da paz de um Estado”.
O raciocínio segue uma lógica já conhecida do regime: países sem arsenal nuclear estão sujeitos à intervenção externa; países com esse arsenal, não. Analistas sul-coreanos ouvidos pela imprensa afirmam que os conflitos recentes reforçaram essa convicção em Pyongyang.
“Essas circunstâncias reforçaram o velho argumento de Pyongyang de que as armas nucleares são essenciais” para a sobrevivência do regime, disse Yang Moo-jin, da Universidade de Estudos da Coreia do Norte.
Sem nomear Donald Trump, Kim disse que seus adversários podem “escolher o confronto ou a coexistência pacífica”, mas que o regime está “preparado para responder a qualquer escolha”.
Constituição e ruptura com o Sul
A sessão também aprovou uma versão atualizada da Constituição norte-coreana. Especialistas aguardam a confirmação de mudanças que eliminam referências à nacionalidade comum com a Coreia do Sul, e consolidam a classificação do país vizinho como inimigo do Estado.
Seul respondeu. A Casa Azul, sede da presidência sul-coreana, afirmou que classificar o país como “o Estado mais hostil” é incompatível com a ideia de coexistência pacífica na Península Coreana, segundo a agência de notícias Yonhap.
Fonte: O Antagonista



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