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Na Mira do Povo

EUA acusam Cuba de facilitar recrutamento para Rússia

Relatório do Departamento de Estado aponta tolerância do regime a envio de cinco mil cubanos para lutar na Ucrânia. Voos foram suspensos e dois terços do país está sem energia

Porto Velho, RO - O Departamento de Estado dos EUA remeteu ao Congresso um documento em que acusa o governo cubano de facilitar o recrutamento de aproximadamente cinco mil cidadãos para integrar as forças militares russas na Ucrânia.

O relatório afirma que “existem indícios significativos de que o regime tolerou, permitiu ou facilitou seletivamente esse fluxo de forma consciente”, funcionando como demonstração de “apoio diplomático e político a Moscou”.

Os cubanos figuram entre os maiores contingentes de combatentes estrangeiros nas operações russas, apesar de Havana não incentivar oficialmente.

Estratégia de atração de recrutas

A captação de militares cubanos aconteciam em grupos no Facebook frequentados pela comunidade cubana veiculavam ofertas de salários de 204 mil rublos, equivalentes a cerca de 13 mil reais, além de promessas de realocação e cidadania russa para os combatentes e parentes.

Recrutadores do Exército russo contatavam civis diretamente em Cuba, aproveitando a ausência de exigência de visto para cubanos e a existência de voos regulares entre os dois países.

Um tradutor que trabalha com a diáspora cubana descreveu o padrão de recrutamento: “Muitos jovens vêm direto de Cuba para ganhar dinheiro aqui. Assinam contratos imediatamente e vão lutar. E depois desaparecem. Provavelmente foram mortos”.

A presença de recrutas cubanos foi documentada inicialmente em 2023 pelo jornal The Moscow Times, que identificou estratégias de atração baseadas em promessas financeiras e de benefícios migratórios.

Resposta cubana sob questionamento

Em 2023, o governo cubano anunciou o desmantelamento de uma rede de recrutamento e a abertura de processos contra quarenta pessoas. O Departamento de Estado, porém, considera essas afirmações inverificáveis, apontando para a opacidade do sistema judicial cubano.

As acusações americanas ocorrem durante agravamento da crise entre Washington e Havana. Desde o início de 2026, petroleiros e navios com bens essenciais enfrentam proibição de atracar em portos cubanos, intensificando a escassez energética e econômica na ilha.

A Rússia obteve permissão para descarregar petróleo no final de março e anunciou novo carregamento. O chanceler russo Sergei Lavrov afirmou nesta quarta-feira: “Enviamos o primeiro navio-tanque com 100 mil toneladas de petróleo para Cuba. Claro que isso provavelmente durará alguns meses”.

Pressão sobre indultos

Nesta quarta-feira, 15, a Anistia Internacional exigiu maior transparência no processo de libertação de prisioneiros iniciado no começo do ano após negociações com o Vaticano. Durante a Semana Santa, 2.010 pessoas receberam indulto, mas a organização criticou a inexistência de lista de beneficiados e a ausência de soltura de “presos de consciência”.

A ONG Cubalex reportou que 24 presos políticos, quase todos detidos nos protestos de julho de 2021, ganharam liberdade recentemente.

Ana Piquer, diretora da Anistia Internacional para as Américas, disse que “chegou a hora de substituir os anúncios parciais, obscuros, revogáveis e sem garantias pela libertação imediata e incondicional de todas as pessoas presas unicamente por exercerem seus direitos humanos”.

O ditador cubano, Miguel Díaz-Canel, negou a existência de presos políticos no país.

Fonte: O Antagonista

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