Em uma única expedição, foram encontradas lagartos inéditos, pequenos caracóis, milípedes raros e, sobretudo, uma nova espécie de víbora. Nova espécie de víbora das cavernas é descoberta pela ciência - Créditos: depositphotos.com / REPTILES4ALL
Porto Velho, RO - Entre paredões de calcário e cavernas pouco exploradas em Battambang, no oeste do Camboja, pesquisadores registraram novas espécies de répteis e invertebrados, além de animais ameaçados que dependem desses ambientes rochosos e úmidos.
Em uma única expedição, foram encontradas lagartos inéditos, pequenos caracóis, milípedes raros e, sobretudo, uma nova espécie de víbora-de-fosseta adaptada ao relevo cárstico.
O que torna a nova víbora-de-fosseta de Battambang tão especial
A nova víbora-do-gênero Trimeresurus apresenta cabeça triangular, fossetas loreais sensíveis ao calor e hábitos associados a cavernas úmidas e encostas de calcário.
Essas estruturas permitem localizar presas de sangue quente, como pequenos mamíferos e aves, mesmo na escuridão quase total. Diferenças na coloração e no padrão de escamas indicam que se trata de uma espécie distinta de outras víboras da região.
O isolamento em colinas calcárias e o microclima das cavernas provavelmente favoreceram adaptações únicas, tornando-a altamente especializada e dependente desses sistemas rochosos.
Por que as paisagens cársticas concentram tanta biodiversidade
Ambientes cársticos formam-se pela dissolução lenta do calcário, criando vales, dolinas e redes de cavernas que funcionam como “ilhas” ecológicas. Cada morro ou caverna pode abrigar populações isoladas, favorecendo a evolução de espécies endêmicas de distribuição extremamente restrita.
Em Battambang, foram registrados, além da nova víbora, geckos com padrões distintos, caracóis minúsculos e milípedes raros.
Muitos invertebrados troglóbios só existem em um único sistema de cavernas, o que torna essa biodiversidade discreta, porém altamente especializada e vulnerável a qualquer alteração física ou hídrica.
Quais são as principais ameaças às cavernas e à nova víbora
A extração de calcário para cimento, a abertura de pedreiras, o desmatamento e o turismo desordenado estão entre as maiores pressões sobre morros cársticos. Quando uma colina é destruída, todo o conjunto de cavernas e suas espécies associadas pode desaparecer de forma irreversível.
Na paisagem ao redor de Battambang, foram confirmadas espécies já ameaçadas, como pangolim-sunda, langures prateados e pavões-verdes.
A perda de florestas altera o regime de água das cavernas, muda o microclima interno e intensifica o trânsito humano, ampliando riscos como caça, coleta ilegal e poluição.
Como podem ser protegidas as cavernas e sua fauna especializada
Cavernas com colônias de morcegos, invertebrados raros ou espécies recém-descritas, como a víbora-de-fosseta de Battambang, demandam planos de manejo específicos e monitoramento constante.
Algumas ações prioritárias para reduzir impactos e garantir a conservação desses ambientes incluem:
- Mapear e monitorar cavernas com alta diversidade e endemismo.
- Restringir ou proibir a extração de calcário em morros prioritários.
- Estabelecer regras claras de visitação, com limite de pessoas e trilhas demarcadas.
- Promover pesquisas contínuas e envolver comunidades locais em turismo de baixo impacto.
A nova víbora-de-fosseta de caverna oferece pistas sobre a evolução de serpentes em ambientes isolados, revelando como populações separadas por paredões de calcário se adaptam a presas, umidade e temperatura específicos.
A espécie será incluída em catálogos oficiais, avaliada quanto ao número de indivíduos e área de ocorrência, e classificada quanto ao risco de extinção.
Esses dados embasam a criação de áreas protegidas e reforçam que muitos sistemas cársticos ainda são “pontos cegos” para a ciência, abrigando organismos que sequer foram descritos.
Fonte: O ANTAGONISTA



0 Comentários