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Na Mira do Povo

TCE-RO flexibiliza suspensão de licitação de R$ 2,5 milhões em Presidente Médici para evitar prejuízos à saúde e educação


Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) decidiu flexibilizar parcialmente a suspensão de uma licitação realizada pela Prefeitura de Presidente Médici que está sob investigação por supostas irregularidades. A medida busca evitar a paralisação de serviços públicos essenciais, como ambulâncias, transporte escolar e manutenção de máquinas utilizadas na recuperação de estradas rurais.

A decisão foi proferida pelo conselheiro-relator José Euler Potyguara Pereira de Mello no Processo nº 00741/26, que apura possíveis falhas no Pregão Eletrônico nº 104/SML/2025, destinado à contratação de empresa para gerenciamento e manutenção da frota municipal.
 
TCE-RO mantém investigação sobre licitação

A representação foi apresentada pela empresa Uzzipay Administradora de Convênios Ltda., que questionou diversos pontos do certame. Entre as principais irregularidades apontadas estão:
  • Falta de resposta aos pedidos de impugnação e esclarecimentos apresentados pelas empresas participantes;
  • Ausência de critérios claros para a realização da Prova de Conceito (POC);
  • Dúvidas sobre o modelo de faturamento e regras tributárias do contrato;
  • Mudança de critérios durante a sessão pública do pregão;
  • Exclusão de propostas com taxa administrativa negativa sem análise individual da viabilidade das ofertas.
O contrato em questão resultou na Ata de Registro de Preços nº 04/2026, vencida pela empresa Smart Comércio e Representações Ltda., no valor de aproximadamente R$ 2,53 milhões.
 
Suspensão total poderia afetar serviços essenciais

Inicialmente, o TCE-RO havia determinado a suspensão completa do pregão e dos atos subsequentes. Porém, após manifestação da Prefeitura de Presidente Médici, a Corte constatou que a paralisação integral poderia causar graves impactos à população.

Segundo os autos, a interrupção dos serviços poderia comprometer:
  • Atendimento de ambulâncias e transporte de pacientes;
  • Transporte escolar, inclusive de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA);
  • Operação de máquinas pesadas utilizadas na manutenção de estradas rurais;
  • Serviços ligados à saúde e infraestrutura municipal.
Diante desse cenário, o tribunal reconheceu a existência do chamado "perigo de dano reverso", situação em que a própria decisão cautelar pode causar prejuízos maiores do que aqueles que pretende evitar.
 
Uso da ata será permitido apenas em situações emergenciais

Apesar da flexibilização, o TCE-RO deixou claro que a autorização não significa reconhecimento da regularidade da licitação.

A Prefeitura poderá utilizar a ata apenas para:

✅ Manutenção corretiva de ambulâncias;

✅ Veículos do transporte escolar;

✅ Transporte sanitário;

✅ Máquinas essenciais para a infraestrutura rural.

Por outro lado, permanecem proibidos:

❌ Serviços preventivos de rotina;

❌ Uso amplo e irrestrito da ata;

❌ Novas adesões de outros órgãos ao contrato;

❌ Ampliação do objeto contratado.

O município também deverá enviar relatórios mensais ao tribunal detalhando os serviços realizados, veículos atendidos, valores pagos e justificativas para cada contratação.
 
Prefeito, pregoeiro e superintendente terão que prestar esclarecimentos

O TCE-RO determinou a realização de audiência dos responsáveis pelo certame para apresentação de defesa.

Foram citados:
  • Wendel Bragança Dias, responsável pela condução do pregão;
  • Dagleelen Somenzari de Lima;
  • Sérgio Pedro da Silva.
Eles terão prazo de 15 dias para apresentar justificativas sobre as irregularidades apontadas pela área técnica do tribunal.
 
Empresa vencedora também será ouvida

Além dos agentes públicos, a empresa vencedora da licitação, Smart Comércio e Representações Ltda., também foi citada para exercer o direito ao contraditório e à ampla defesa.

A companhia poderá apresentar documentos e esclarecimentos sobre os fatos investigados.
 
Processo segue em análise

O TCE-RO ressaltou que os indícios de irregularidades continuam sob investigação e que a autorização concedida possui caráter temporário e excepcional.

Após a apresentação das defesas e nova análise técnica, o processo seguirá para manifestação do Ministério Público de Contas antes de uma decisão definitiva sobre a legalidade do pregão realizado pela Prefeitura de Presidente Médici.

Fonte da redação

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