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Na Mira do Povo

TCE-RO transforma denúncia sobre transporte escolar em investigação contra licitação de Pimenta Bueno

Tribunal identificou indícios de possíveis irregularidades no Pregão Eletrônico nº 90/2025 e determinou fiscalização mais aprofundada

Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) decidiu transformar um Procedimento Apuratório Preliminar (PAP) em processo de fiscalização de atos e contratos para investigar possíveis irregularidades no Pregão Eletrônico nº 90/2025, realizado pela Prefeitura de Pimenta Bueno para contratação de empresa especializada em transporte escolar.

A decisão foi assinada pelo conselheiro Francisco Carvalho da Silva, relator do processo nº 00036/26.

A apuração teve origem em uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria de Contas, que apontou supostas irregularidades envolvendo a contratação de empresas para prestação do serviço de transporte de passageiros destinado aos estudantes do município.

Denúncia apontou suspeitas em empresas e licitação

Segundo o comunicado analisado pelo TCE-RO, o transporte escolar municipal estaria sendo executado por duas empresas ligadas ao mesmo proprietário, contratadas inicialmente em caráter emergencial.

A denúncia também levantou suspeitas sobre:
  • possível direcionamento de licitação;
  • formação de cartel;
  • relação entre empresas participantes;
  • suposta influência de pessoas ligadas à administração municipal;
  • irregularidades no edital do Pregão Eletrônico nº 90/2025.
O denunciante ainda pediu a suspensão do certame e o afastamento cautelar de servidores supostamente envolvidos.

Primeiro resultado não indicava abertura de fiscalização

Na análise inicial, a Secretaria-Geral de Controle Externo (SGCE) avaliou que, apesar de a denúncia apresentar elementos suficientes para ser recebida, ela não alcançava os critérios necessários para abertura de uma fiscalização.

Na primeira avaliação, o caso atingiu 52,8 pontos no índice RROMa (Relevância, Risco, Oportunidade e Materialidade), acima do mínimo de 40 pontos.

Porém, na Matriz GUT, que considera Gravidade, Urgência e Tendência, alcançou apenas 3 pontos, quando o mínimo exigido é 40.

Com isso, inicialmente, a recomendação era pelo arquivamento do procedimento.

Novos documentos mudaram entendimento do Tribunal

Após o recebimento de informações complementares, o TCE-RO realizou uma nova análise dos critérios de seletividade.

Desta vez, a denúncia alcançou 62,8 pontos no índice RROMa e 48 pontos na Matriz GUT, superando os limites exigidos para que o Tribunal realize uma fiscalização específica.

A área técnica entendeu que os novos elementos apresentavam indícios que precisavam ser investigados.

TCE aponta possíveis indícios de fraude em licitação

Durante a análise preliminar, o Tribunal destacou alguns pontos considerados relevantes para aprofundamento da investigação.

Entre eles, estão:
  • empresas participantes com possível relação entre si;
  • utilização do mesmo endereço de e-mail em cadastros empresariais;
  • dificuldade de localização de uma das empresas nos endereços informados;
  • desistência de uma empresa que apresentou o menor lance, fazendo com que outra concorrente assumisse o contrato por valor maior.
O TCE-RO informou que esses fatos podem representar indícios de práticas conhecidas em licitações, como possível direcionamento ou comportamento irregular entre concorrentes, mas ressaltou que ainda não houve julgamento definitivo sobre as acusações.

Pedido para suspender licitação foi adiado

Sobre o pedido de suspensão do pregão e afastamento de servidores, o conselheiro Francisco Carvalho da Silva decidiu aguardar a realização de novas diligências técnicas antes de tomar uma decisão.

Segundo a decisão, será necessário reunir mais provas para avaliar a necessidade de uma medida cautelar.

Prefeitura e controle interno serão comunicados

A decisão determinou a continuidade da apuração como Fiscalização de Atos e Contratos, com autorização para que a Secretaria-Geral de Controle Externo realize todas as diligências necessárias.

A prefeita de Pimenta Bueno, Marcilene Rodrigues da Silva Souza, e a controladora interna do município serão comunicadas.

O Ministério Público de Contas e a Ouvidoria do TCE-RO também receberão ciência da decisão.

O processo seguirá em análise pelo Tribunal de Contas de Rondônia.

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