Tribunal de Contas aponta indícios de dano ao erário superior a R$ 256 mil e abre prazo para apresentação de defesa
O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) determinou a citação de servidores públicos, ex-gestores da Prefeitura de Porto Velho, do DER-RO e da Igreja Assembleia de Deus, após identificar fortes indícios de utilização irregular de máquinas, materiais, veículos e servidores públicos na pavimentação do pátio do Grande Templo da Assembleia de Deus, localizado na capital.
A decisão foi proferida pelo conselheiro Paulo Curi Neto, no âmbito do Processo nº 02426/25, durante a análise de uma fiscalização de atos e contratos.
Investigação aponta possível desvio de finalidade
Segundo o relatório técnico do TCE-RO, há indícios de que equipamentos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RO) e da Secretaria Municipal de Infraestrutura (SEINFRA) foram empregados em benefício de uma entidade privada, sem convênio, termo de parceria ou qualquer instrumento jurídico que autorizasse a utilização dos recursos públicos.
A fiscalização foi instaurada após denúncia encaminhada pelo vereador Antônio Marcos Mourão Figueiredo, que apontou possível utilização de caminhões, máquinas e servidores públicos na recuperação do pavimento do estacionamento da igreja.
Prejuízo estimado ultrapassa R$ 256 mil
Durante a instrução do processo, a equipe técnica realizou levantamento documental, análise de imagens de satélite, vistoria no local e reconstituição dos serviços executados.
O relatório concluiu, em caráter preliminar, que o possível dano ao erário pode chegar a R$ 256.584,39, dividido entre:
- R$ 6.361,45, referentes aos serviços executados pelo DER-RO;
- R$ 250.222,94, relacionados aos equipamentos, materiais, veículos e mão de obra da SEINFRA de Porto Velho.
TAC firmado com o Ministério Público não encerrou a investigação
O Tribunal também analisou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Sociedade Evangélica Beneficente (SEB) e o Ministério Público de Rondônia.
No acordo, a entidade reconheceu ter recebido benefícios decorrentes da utilização de recursos públicos e realizou parte do ressarcimento ao Estado, além de oferecer vagas em instituições mantidas pela entidade.
Contudo, o TCE entendeu que ainda existem dúvidas sobre:
- a extensão real dos serviços executados;
- os custos efetivos das obras;
- a participação dos órgãos públicos;
- a comprovação integral do ressarcimento aos cofres públicos.
Um dos pontos que motivaram o aprofundamento da apuração foi a existência de reportagens com imagens georreferenciadas, que, segundo a área técnica, mostrariam caminhões, rolos compactadores, caminhão espargidor de asfalto e equipes da SEINFRA trabalhando dentro do pátio da igreja.
As imagens, segundo o relatório, divergiam das informações inicialmente prestadas pela Prefeitura, que afirmava ter disponibilizado apenas um caminhão-pipa com água reutilizada para controle de poeira.
Quem foi citado pelo Tribunal
O TCE determinou a abertura do contraditório para que apresentem defesa:
- servidores e ex-servidores do DER-RO;
- o ex-secretário municipal de Infraestrutura;
- um ex-assessor técnico da SEINFRA;
- a Sociedade Evangélica Beneficente (SEB);
- a Igreja Evangélica Assembleia de Deus (IEAD).
Processo pode virar Tomada de Contas Especial
Apesar dos fortes indícios apontados pela equipe técnica, o conselheiro Paulo Curi Neto destacou que ainda não existe condenação.
A decisão apenas reconhece que há elementos suficientes para instaurar o contraditório e permitir que todos os envolvidos apresentem sua versão dos fatos.
Após a análise das defesas, o Tribunal poderá:
- arquivar o processo;
- determinar ressarcimento aos cofres públicos;
- aplicar multas;
- converter o procedimento em Tomada de Contas Especial, caso fique comprovado dano ao erário;
- encaminhar o caso para outras medidas legais cabíveis.
- TCE-RO investiga suposto uso de máquinas e servidores públicos em obra da Assembleia de Deus.
- Dano estimado chega a R$ 256,5 mil.
- Relatório aponta possível utilização irregular de equipamentos do DER-RO e da SEINFRA.
- Igreja e Sociedade Evangélica Beneficente também foram citadas para apresentar defesa.
- Servidores e ex-gestores terão 15 dias para apresentar justificativas.
- Processo poderá ser convertido em Tomada de Contas Especial, caso o dano ao erário seja confirmado.


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