
Tribunal de Contas de Rondônia vai apurar denúncias de que programa municipal de voluntariado estaria sendo utilizado para ocupar funções permanentes da administração pública sem concurso.
Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) decidiu instaurar uma investigação para apurar supostas irregularidades na contratação de pessoas por meio do Programa Amigo Voluntário, mantido pela Prefeitura de Mirante da Serra.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO), que aponta possíveis desvios na utilização do programa, com voluntários atuando em funções permanentes da administração municipal e recebendo pagamentos mensais sob a forma de "ajuda de custo".
A decisão foi assinada pelo conselheiro relator José Euler Potyguara Pereira de Mello e determina o prosseguimento do processo na categoria de Representação, permitindo uma investigação mais aprofundada dos fatos.
O que está sendo investigado?Segundo a denúncia encaminhada pela 3ª Promotoria de Justiça de Ouro Preto do Oeste, a Prefeitura de Mirante da Serra estaria utilizando o Programa Amigo Voluntário para preencher vagas em setores essenciais da administração pública.
As supostas contratações envolveriam áreas como:
- Educação;
- Assistência social;
- Infraestrutura;
- Esporte.
De acordo com o Ministério Público, os chamados voluntários estariam desempenhando atividades rotineiras e permanentes, cumprindo jornadas regulares de trabalho e recebendo valores frequentes a título de ajuda de custo.
Possível burla ao concurso públicoUm dos principais pontos levantados na denúncia é a possível violação do artigo 37 da Constituição Federal, que determina a realização de concurso público para ocupação de cargos permanentes na administração pública.
Segundo o TCE-RO, caso as informações sejam confirmadas durante a investigação, poderá haver caracterização de:
- Desvirtuamento do serviço voluntário;
- Contratação irregular de mão de obra;
- Burla ao concurso público;
- Descumprimento da Lei Federal nº 9.608/1998, que regula o trabalho voluntário;
- Possível mascaramento de gastos com pessoal.
A legislação permite apenas o ressarcimento de despesas comprovadas aos voluntários, vedando qualquer forma de remuneração pelo serviço prestado.
Tribunal vê gravidade na denúnciaDurante a análise preliminar, os técnicos da Secretaria-Geral de Controle Externo (SGCE) concluíram que a denúncia possui elementos suficientes para justificar uma ação de controle.
O processo alcançou:
- 52 pontos no índice RROMa;
- 64 pontos na Matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência).
Os números superam os critérios mínimos exigidos pelas normas internas do Tribunal para abertura de investigação.
Segundo a decisão, a situação apresenta elevada gravidade porque pode gerar:
- Passivos trabalhistas;
- Problemas fiscais;
- Contratações precárias;
- Comprometimento da legalidade na gestão pública.
Outro fator que pesou na decisão foi a possibilidade de continuidade e expansão da prática.
O TCE-RO destacou que, se confirmadas as irregularidades, a utilização de voluntários para substituir servidores efetivos pode se tornar um mecanismo permanente de contratação, agravando ainda mais o problema.
Por esse motivo, o Tribunal considerou necessária uma atuação preventiva e urgente para evitar possíveis danos à administração pública.
Prefeito será notificadoCom a decisão, o prefeito de Mirante da Serra, José Carlos Pereira de Andrade, será oficialmente notificado para tomar conhecimento do processo.
A Secretaria-Geral de Controle Externo ficará responsável pela instrução da investigação e poderá realizar diligências, solicitar documentos e colher novas informações para esclarecer os fatos.
O TCE-RO ressaltou que a abertura da Representação não significa que houve irregularidade comprovada.
Nesta fase, o Tribunal apenas reconheceu que existem elementos suficientes para aprofundar a análise.
O mérito da denúncia será examinado durante a instrução processual, garantindo aos envolvidos o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Caso pode impactar gestão de pessoal no municípioA investigação poderá trazer reflexos importantes para a política de contratação de pessoal da Prefeitura de Mirante da Serra.
Caso sejam confirmadas as irregularidades apontadas pelo Ministério Público, o município poderá ser obrigado a adequar seus procedimentos às exigências constitucionais e legais relacionadas ao ingresso de servidores públicos.


0 Comentários