
Tribunal de Contas de Rondônia identificou déficit de profissionais para atendimento de alunos da educação especial e determinou que a prefeitura apresente um plano de ação em até 60 dias.
Porto Velho, RO - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) reconheceu que a Prefeitura de Candeias do Jamari não cumpriu integralmente uma determinação anterior relacionada à contratação de profissionais para o atendimento da educação inclusiva na rede municipal de ensino.
Apesar da irregularidade formal, o Tribunal decidiu não aplicar multa ou outra sanção neste momento, entendendo que a administração municipal vem adotando medidas para enfrentar o problema e que mudanças recentes na legislação federal impactaram diretamente a execução das ações planejadas.
A decisão foi proferida pelo conselheiro Paulo Curi Neto no âmbito do processo de fiscalização que acompanha possíveis irregularidades na área da educação do município.
Problema principal é a falta de profissionais para educação especialA fiscalização foi instaurada para apurar três situações:
- Falhas na regulamentação da jornada de trabalho dos professores;
- Suspensão de aulas por problemas no transporte escolar;
- Déficit de cuidadores, mediadores e outros profissionais de apoio para alunos com deficiência.
Durante a análise, o TCE-RO verificou que os dois primeiros problemas apresentaram avanços, permanecendo como principal preocupação a carência de profissionais destinados ao Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Município não cumpriu prazo determinado pelo TribunalEm decisão anterior, o Tribunal havia concedido prazo de 60 dias para que a Prefeitura comprovasse as medidas adotadas para ampliar a contratação de cuidadores e mediadores nas escolas municipais.
No entanto, segundo o relatório técnico, a administração municipal não apresentou as informações dentro do prazo estabelecido.
Diante disso, o TCE-RO considerou configurado o descumprimento formal da determinação.
Inspeção aponta esforços da prefeitura para reduzir problemasApesar do atraso, uma inspeção realizada presencialmente pelos técnicos do Tribunal constatou que a prefeitura não permaneceu inerte diante da situação.
A fiscalização identificou ações como:
- Utilização emergencial de voluntários;
- Contratação de serviços terceirizados;
- Reorganização do atendimento educacional especializado;
- Medidas administrativas para adaptação às novas exigências legais.
Segundo o Tribunal, essas providências demonstram que a gestão municipal vem tentando minimizar os impactos causados pela falta de profissionais.
Mudanças nas regras federais influenciaram o cenárioOutro fator levado em consideração pelo TCE-RO foi a publicação dos Decretos Federais nº 12.686/2025 e nº 12.773/2025, que alteraram diretrizes da política nacional de educação especial inclusiva.
De acordo com a decisão, as novas normas exigiram adequações administrativas, pedagógicas e operacionais por parte do município, tornando mais complexa a implementação das medidas inicialmente determinadas.
Mesmo sem aplicar sanções neste momento, o Tribunal determinou que a Prefeitura de Candeias do Jamari apresente, no prazo de 60 dias, um plano detalhado para solucionar o déficit de profissionais na educação inclusiva.
O documento deverá conter:
- Diagnóstico completo da demanda por cuidadores e mediadores;
- Quantidade de profissionais necessários;
- Medidas administrativas e orçamentárias para contratação;
- Definição dos responsáveis por cada ação;
- Cronograma de execução;
- Metas intermediárias e finais;
- Estratégias de monitoramento e avaliação dos resultados.
O plano deverá prever a implementação completa das ações em até 360 dias.
Tribunal alerta para possíveis punições futurasO TCE-RO advertiu que, caso as novas determinações não sejam cumpridas, os responsáveis poderão ser alvo de sanções previstas na legislação.
Foram notificados:
- O prefeito de Candeias do Jamari, Lindomar Barbosa Alves;
- A secretária municipal de Educação, Clarice Lemos Ferreira;
- O controlador-geral do município, Firmo Jean Carlos Diógenes.
Segundo o Tribunal, a prioridade é garantir que os estudantes da educação especial tenham acesso adequado aos serviços de apoio necessários para sua inclusão e desenvolvimento escolar.
Educação inclusiva segue sob monitoramentoA Corte de Contas destacou que continuará acompanhando a execução das medidas e avaliará futuramente se as providências adotadas pelo município foram suficientes para resolver o problema estrutural identificado.
A expectativa é que o plano exigido permita uma solução permanente para a falta de cuidadores, mediadores e demais profissionais indispensáveis ao atendimento dos alunos da educação inclusiva em Candeias do Jamari.


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